Governança, da teoria à prática

Em Boards that Deliver, Ram Charan identifica dificuldades e aponta soluções para a instalação de conselhos de alta performance

Prateleira / Edição 28 / 1 de dezembro de 2005
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ed28_p060-060_pag_1_img_001A história da governança corporativa no mundo carrega uma lista de marcos importantes através dos tempos. Um deles, seguramente, foi a publicação do “Guidelines for Corporate Governance” pela revista Business Week em 1994, com as orientações técnicas de Ira Millstein, hoje presidente do Private Sector Advisory Group – fórum que discute este tema no Banco Mundial. Na época, o guia foi comparado ao famoso trecho da Magna Carta promulgada em 1215 pelo rei John da Inglaterra, que lembrava aos cidadãos que “nada e nenhuma pessoa, inclusive o rei, estavam acima da lei.”

A cartilha do professor Millstein, no entanto, parece ter ficado guardada na gaveta durante toda a década de 90. Somente entre os anos de 1999 e 2003, o mundo se daria conta do quanto algumas empresas deveriam ter colocado aqueles ensinamentos em prática, como forma de evitar os escândalos da Enron, WorldCom, Tyco, HealthSouth e Adelphia. A partir deste momento, afluiu a lei Sarbanes- Oxley, em 2002. Grupos de interesses, em especial os acionistas e as partes interessadas, passaram a contar com instrumentos que permitiriam mudanças importantes na alta administração das companhias abertas, com ênfase na profissionalização dos conselhos de administração.

A mais recente referência na literatura sobre governança corporativa surge pelas mãos de Ram Charan, PhD da Harvard Business School, autor de diversos artigos e teses sobre o tema. Em julho passado, ele lançou Boards that Deliver — Advancing Corporate Governance From Compliance to Competitive Advantage. Charan é autor de outros bestsellers, entre eles Profitable Growth is Everyone´s Business, What the CEO wants you to know e Boards at Work. Sua trajetória profissional registra trabalhos de consultoria junto à alta administração de grandes corporações, tais como GE, Verizon, Thomson, Honeywell, Novartis, KLM, Bank of América e Home Depot.

A visão de Charan sobre o papel da governança difere da abordagem convencional do papel dos conselheiros que, muitas vezes, limitam- se a fiscalizar o escopo das conformidades pelos “inputs” dos processos e das estruturas desenvolvidas pela companhia. Charan destaca, contudo, que a governança deve ser avaliada pelos “outputs”. Em outras palavras, o guru ensina que as práticas e os procedimentos dos conselhos são os meios e não os fins pelos quais a boa governança deve ser aplicada.

Boards that Deliver Advancing Corporate Governance from Compliance to Competitive Advantage
Hardcover, Jossey-Bass Ram Charan 224 páginas

Com base nessa hipótese, seu livro foi estruturado em quatro partes: a primeira introduz o modelo que o conselho de administração precisa observar para evoluir do estágio que Charan define como cerimonial, isto é, o de um CEO que se considera o todo poderoso, passando pela fase de liberação — quando os diretores iniciam um diálogo fragmentado — até culminar com a formação do chamado “conselho progressivo”, no qual os conselheiros constroem um consenso sobre a governança.

Na segunda parte do livro, Charan apresenta os três pilares dos conselhos progressivos: a dinâmica de grupo, a arquitetura da informação e o foco nas questões relevantes. Em seguida, elege as contribuições que realmente contam para o aprimoramento dos conselhos: a escolha do CEO certo, sua sucessão e remuneração; a estratégia da companhia; a importância da liderança; e o monitoramento dos processos — saúde, performance e riscos da companhia.

Por fim, na última parte, é discutida a operacionalidade do conselho, sua relação com os acionistas e o mercado. De fácil leitura, Boards that Deliver identifica os desafios e traz as soluções para colocar em prática as boas teorias já apresentadas. Uma ótima referência para projetos de construção de companhias bem governadas.


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