Lições de valor

Em visita ao Brasil, Damodaran dá sugestões inovadoras como a redução do prêmio por risco soberano em grandes exportadoras

Reportagem / Edição 23 / 1 de julho de 2005
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Como determinar o valor de uma empresa? Esse é um questionamento diariamente realizado pelos mercados de capitais ao redor do mundo e tema de ainda maior relevância em um mercado com tantas oportunidades e volatilidade como a bolsa brasileira. Apesar da melhoria que temos verificado na última década em termos de estabilidade econômica e previsibilidade do futuro, o mercado brasileiro está ainda muito distante do mundo ideal descrito na teoria financeira e baseado, na maioria das vezes, em mercados mais “justos” ou “eficientes”. Essa disparidade exige dos analistas e dos demais agentes do mercado uma maior cautela no uso dos modelos propostos pelo meio acadêmico.

Para discutir esse tema foi realizado no dia 15 de junho, em São Paulo, seminário com uma das maiores autoridades mundiais sobre valuation e corporate finance, o professor Aswath Damodaran, Ph.D em Business Economics pela UCLA. Considerado um dos doze melhores acadêmicos dos EUA, o professor de nacionalidade indiana é autor de diversos best-sellers sobre finanças e seu último livro aborda filosofias de investimento. O evento teve como foco a avaliação de empresas no contexto de economias emergentes.

O primeiro tópico discutido foi a estimativa de custo de capital para empresas brasileiras. Damodaran defendeu o uso do modelo que parte de parâmetros do mercado norte-americano e acrescenta um prêmio para o risco país (risco Brasil) como ajuste ao mercado local. Um aspecto inovador de sua proposição é a possibilidade de ajuste do prêmio para o risco soberano no caso das empresas que apresentam menor dependência da economia doméstica, como, por exemplo, as exportadoras Vale do Rio Doce, Embraer e Aracruz Celulose.

O professor, que leciona na New York University, demonstrou estar acompanhando de perto a performance de diversos segmentos da economia brasileira e apresentou técnicas e modelos apropriados à avaliação de empresas de setores cíclicos, em especial siderurgia, papel e celulose e petroquímico. Destacou a importância da análise dos possíveis desvios que preços e margens operacionais podem apresentar das médias históricas. Se não devidamente tratados, podem gerar enormes erros na estimativa dos valores justos das ações das empresas. No caso específico das empresas do setor siderúrgico brasileiro, cujos produtos, em função da forte demanda no mercado mundial, apresentam atualmente preços duas vezes maiores que as médias históricas, a não observância desses cuidados poderia propiciar estimativas de preços das ações 400% acima das atuais cotações de mercado.

A simplicidade dos modelos é um aspecto que impressiona em Damodaran. Há muito que o professor aprendeu que o mercado não aceita proposições demasiadamente complicadas. A essência dos bons modelos financeiros está na captura do que é fundamental em termos econômicos e não na tentativa de incluir todas as variáveis, avalia Damodaran. Os modelos utilizados em finanças e em economia em geral são meras simplificações da realidade e, pelo fato de utilizarem artifícios matemáticos em suas formulações, não devem nos fazer pensar que estamos tratando de ciências exatas.

O professor ensinou ainda que nem sempre é fácil prever o futuro ou perceber quando o mercado está errado. Porém, focando a análise em quatro drivers fundamentais – receitas, margens, reinvestimentos e custo de capital – e considerando ainda a consistência das relações entre essas variáveis, a tarefa é viável, “mesmo para seres humanos normais”.

 


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