Oportunidade de mudar a história

Editorial / Edição 20 / 1 de abril de 2005
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A presente edição da Capital Aberto traz uma ótima notícia para o mercado de capitais brasileiro: empresas jovens, inovadoras e participantes de uma geração formada sob a batuta de elevados padrões de governança se prepara para lançar ações na bolsa de valores nos próximos anos. Elas têm o mercado acionário como parte integrante de um plano de crescimento sustentável no futuro e seguem boas práticas de gestão desde que sócios capitalistas – mais especificamente investidores de venture capital ou private equity – investiram em suas ações exigindo-lhes uma ortodoxa política de prestação de contas.

E não é só isso: além de caminharem na trilha certa rumo ao mercado de capitais, essas companhias têm boas chances de formar um time de correligionárias que seguirão seus passos no futuro próximo. Não apenas pelos bons exemplos que suas antecessoras deverão deixar, mas porque poderão contar com um arcabouço legal que começa a ser concebido para favorecer o investimento de risco em empresas inovadoras por meio de uma regulamentação mais moderna e de oportunos incentivos fiscais, como mostra a reportagem de Luciana Del Caro Lachini na página 22.

A essas iniciativas, soma-se o projeto da Bovespa de lançar um mercado de acesso no segundo semestre para incentivar companhias de menor porte a lançar suas ações. O plano da Bolsa é, inclusive, estimular empresas que pretendam abrir o capital nos próximos anos a iniciar desde já um relacionamento com investidores, listando-se no mercado de acesso mesmo sem uma oferta imediata de ações. Experiências positivas já comprovadas com a saída de investidores de risco através de recentes lançamentos de ações completam o cenário convidativo para as empresas emergentes. Companhias inovadoras em seus modelos de negócio, como Gol e Submarino, abriram o capital lançando ações que acabaram subscritas por preços bem superiores à média do mercado.

Mas o melhor de tudo é pensar que a boa notícia não se limita ao aumento no número de companhias listadas na bolsa brasileira. Ao contrário, podem ter um significado muito maior para o papel do mercado de capitais em nossa sociedade. Como diziam Rajan e Zingales em “Salvando o Capitalismo dos Capitalistas”, é principalmente a essas companhias dinâmicas e emergentes que servem os mercados financeiros. Eles são dotados da capacidade de financiar a chamada “destruição criativa” e renovar o ambiente empresarial contestando idéias e organizações ultrapassadas e as substituindo por outras, novas e melhores.

Eis, portanto, uma oportunidade de que o mercado de capitais rompa a barreira que, segundo os autores, impõe dificuldades ao seu desenvolvimento em qualquer país: a opressão financeira imposta pelos agentes já estabelecidos e interessados em manter sua exclusividade. Se a tese de Rajan e Zingales servir para explicar, ao menos em parte, o atrasado desenvolvimento do mercado de capitais no Brasil, podemos concluir que temos pela frente uma valiosa oportunidade de começar a mudar essa história.


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