Balde de água fria na largada do ano

Editorial / Edição 18 / 1 de fevereiro de 2005
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Depois de um 2004 repleto de boas notícias para o mercado de capitais, janeiro começou com certa dose de preocupação. Ao ampliar a taxa de juros pela quinta vez consecutiva – e , pior, sinalizar que o aperto monetário tem grandes chances de não parar por aí – o Banco Central frustrou expectativas de diversos setores da sociedade e deu munição para um dos maiores inimigos do desenvolvimento do mercado de capitais no país: o retorno atrativo e de baixo risco dos títulos públicos.

Juros altos significam um pesado custo de oportunidade para o investimento em ativos privados como ações, debêntures e títulos securitizados. Rapidamente se refletem em preços menores no mercado secundário e no desinteresse das companhias em realizar novas emissões, desencadeando um ciclo vicioso que faz minguar as ofertas de títulos por falta de demanda e abre espaço para o tipo de ressaca que entediou o mercado nos últimos anos.

Por enquanto, a despeito do mal estar provocado pela política austera do BC, o que se vê é um bom humor perseverante. Como mostra uma série de três reportagens iniciada na página 22, os FIDCs – Fundos de Investimento em Direitos Creditórios – prometem continuar despontando como uma alternativa barata e conveniente de captação de recursos no mercado de capitais, inclusive para empresas médias e de capital fechado. Entre os investidores, permanece a percepção de que a alta dos juros é circunstancial e tem boas perspectivas de retroagir no médio prazo. Em matéria na página 30, a repórter Thais Franco mostra que ativos alternativos como cotas de FIDCs e CRIs estão na pauta de investimentos dos fundos de pensão para 2005.

A securitização, aliás, continua se revelando uma grande promessa para movimentar o mercado de capitais. E até uma forma de mudar a vida das empresas que decidem utilizar seus recebíveis para captar recursos. Ao se deparar com o ceticismo dos investidores, elas se vêem obrigadas a adotar uma postura mais transparente e a rever processos operacionais que careciam de eficiência. Até o poder público, representado por governos de Estado e prefeituras, já vê nos FIDCs e em outras formas de securitização uma maneira de captar recursos a custos competitivos e, melhor ainda, sem ameaçar o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Ao mesmo tempo, os CRIs – Certificados de Recebíveis Imobiliários – receberam o incentivo da legislação que os isentou de imposto de renda quando a aplicação for feita por pessoas físicas. A novidade foi logo aproveitada pela Comissão de Valores Mobiliários, que baixou instrução eliminando o piso para aplicação em CRIs – até então de R$ 300 mil – para viabilizar a distribuição dos certificados entre investidores de varejo. Mudanças que vieram para melhor e a favor do mercado de capitais, mas que dependem de uma taxa de juros menos competitiva para ter os efeitos esperados no médio prazo. O mercado continua pedindo licença ao Banco Central para conseguir crescer.


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