Desafios para um percurso sustentável

Editorial / Edição 17 / 1 de janeiro de 2005
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A Capital Aberto começa o ano com a proposta de oferecer a seus leitores elementos que permitam uma análise realista das perspectivas para o mercado de capitais este ano. Depois de um 2004 repleto de boas notícias, o próximo passo é identificar as chances de ser este, de fato, o início de um movimento consistente de recuperação do mercado de capitais brasileiro, capaz de convertê-lo, ao longo dos próximos anos, em uma fonte de financiamento competitiva para o crescimento das empresas nacionais.

Foram vários os motivos para comemorar o ano que terminou. Sócios capitalistas e empresários voltaram a ver a bolsa de valores como uma alternativa viável para venda de suas participações acionárias ou captação de recursos. Mais do que isso, aceitaram as novas regras do jogo dadas pelo mercado e selaram compromissos com boas práticas de governança corporativa exigidas pelo nível 2 ou o Novo Mercado da Bovespa.

Ao mesmo tempo, investidores pessoas físicas demonstraram surpreendente apetite por ações e passaram a ter lugar reservado nas novas ofertas e na rotina dos profissionais de relações com investidores. Estes últimos, por sua vez, deixaram de prestar atenção apenas aos gestores de fundos de investimento e de pensão e começaram a se interessar pelo o que pensam e esperam os indivíduos que investiram dezenas de milhões de reais nas últimas emissões.

Depois de vários anos de desalento, os acontecimentos de 2004 certamente justificam uma certa dose de otimismo. Mas é sempre bom lembrar do que ainda está por fazer. Embora a adesão a boas práticas de governança tenha crescido de forma significativa em pouco espaço de tempo – o total de companhias listadas nos níveis diferenciados da Bovespa passou de 35 para 46 entre janeiro e novembro, ainda há um elevado grupo de acionistas controladores a serem convencidos das vantagens de dividir poder e capital na mesma medida com seus acionistas.

Segundo estudo do Center for Economic Policy Research, de janeiro de 2002, o Brasil possui um dos mais elevados prêmios de controle do mundo – típico atributo que costuma afastar investidores mais calejados. Sob este aspecto, vale frisar, 2004 foi um ano de fortes decepções para os acionistas minoritários de companhias brasileiras. As vendas de Ambev e Ripasa, para citar dois exemplos, reavivaram a memória de todos sobre os elevados níveis de prêmio de controle existentes no Brasil – e, por conseqüência, do potencial de expropriação da riqueza em poder de acionistas minoritários.

Além das deficiências na seara da boa governança, o mercado de capitais brasileiro ainda padece da falta de especialização do judiciário – tema tratado em reportagem na página 38, da incidência de uma carga tributária ineficiente sobre as companhias e de um ambiente econômico dependente de elevadas taxas de juros. Depois do brinde a 2004, vale arregaçar as mangas para registrá-lo historicamente como o primeiro passo de um percurso sustentável.


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