Damodaran para brasileiros

Em Valuation – Como precificar as ações, Alexandre Póvoa adapta conceitos importados para a realidade do mercado local e polemiza questões como o valor da marca e o uso de múltiplos

Edição 17 / Prateleira / 1 de janeiro de 2005
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ed17_p048-048_pag_1_img_001 (1)O tema “valuation” em Wall Street tem como referências modernas as teorias e modelos de Tom Copeland e Aswath Damodaran. Pela aplicabilidade dos conceitos lançados, eles se transformaram em gurus da nova geração dos analistas de mercado. Seus críticos, entretanto, questionam a utilização dessas teorias em mercados emergentes como o Brasil, México e Argentina, em razão das assimetrias intrínsecas destes mercados no que diz respeito a suas dimensões, agentes, instituições e à cultura dos “players”.

A análise de preço e valor das ações no Brasil exige um modelo que complemente os autores estrangeiros, no qual o “ambiente”, em seu mais amplo espectro, possa refletir a adaptação dos padrões contábeis e da forma jurídica, a equação entre ações ordinárias e preferenciais, e os controles e regulamentos ainda focados no fenômeno jurídico – e não nas práticas de “trading”. Uma contribuição para criar esta abordagem corretiva das variáveis ambientais que incidem sobre o modelo de “valuation” chegou em dezembro ao mercado com a publicação, pela Editora Globo, do livro Valuation- Como Precificar Ações, de Alexandre Póvoa. Atual sóciodiretor do Modal Asset Management, o autor é economista pela UFRJ, pós-graduado em Finanças pelo Ibmec e MBA pela Stern School of Business da New York University. Sua trajetória de mercado registra mais de uma década na gestão de recursos de terceiros.

Com a disciplina de um clérigo, Póvoa introduz os conceitos básicos de “valuation” com o objetivo de explicar seus fundamentos. Começa por questões relacionadas à pratica contábil, com exemplos numéricos precisos que resultam dos seus anos de trabalho e pesquisa no mercado de capitais, e atravessa a fronteira dos fundamentos para discutir temas sujeitos à crítica e a sua visão pessoal. Por aí passam reflexões sobre a taxa de desconto, a aplicação dos múltiplos na avaliação de companhias abertas e o valor do controle, do caixa e da marca.

Valuation – Como Precificar as Ações
Alexandre Póvoa

Editora Globo

Para a taxa de desconto, o autor destaca a importância do “timing” e da antecipação dos movimentos de compra e venda de acordo com as variações desta taxa. Sobre os múltiplos, Póvoa critica a prática de aplicá-los sem buscar a sua consistência com o tempo certo. E sugere o desafio de se encontrar o “múltiplo justo” – aquele que pode ser considerado o mais adequado em função da fase do ciclo operacional da companhia. Para as questões polêmicas de valorização do controle, do caixa e da marca, o livro é rigoroso ao fixar a geração de valor como principal referência. “O valor de controle máximo é exatamente igual ao potencial valor da empresa em suas condições ideais de rentabilidade e estrutura de capital (relação entre dívida e capital próprio), menos o valor atual”. Para o caixa, fundamentado em pesquisas, o autor considera que sua influência é relevante apenas para empresas que tenham recursos disponíveis equivalentes a mais de 10% de seus ativos. Com relação à marca, Póvoa provoca polêmica ao afirmar que seu valor já está “espelhado nos números da empresa e deve ser encontrado dentro deles”.

Na abordagem dos fundamentos do “valuation”, a colaboração do autor é louvável para o mercado brasileiro. Suas proposições e respostas às questões polêmicas, contudo, certamente são discutíveis e estarão sujeitas ao debate. Como destaca Arminio Fraga no prefácio do livro, trata-se de uma obra sobre avaliação de ativos vinda em boa hora, escrita por um brasileiro para leitores brasileiros.


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