Em defesa da globalização

Em Why Globalization Works, Martin Wolf tenta persuadir governos a estabelecer uma ordem global mais cooperativa

Edição 16/Prateleira / 1 de dezembro de 2004
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ed16_p056-056_pag_1_img_001A palavra globalização foi introduzida no mercado pela The Economist no final da década de 60. O professor da London School of Economics e conselheiro de Tony Blair, Anthony Giddens, explica a globalização como “uma força irresistível que transformou a sociedade contemporânea na sua economia e na sua política”.

A globalização trouxe para a política internacional um debate profundamente apaixonado do custobenefício do seu processo. Entre os seus críticos mais sérios destacamse Joseph Stiglitz, ex-diretor do Banco Mundial, o financista George Soros e o Professor Dani Rodrik, da Universidade de Harvard.

A análise e discussão deste debate e sua contribuição ao mercado recebeu este ano a publicação do livro Why Globalization Works, de Martin Wolf, publicado pela Yale University Press.

Wolf iniciou sua formação acadêmica com a leitura dos clássicos, em Oxford. Evoluiu para o estudo da política, filosofia e economia até obter o “Master of Philosophy in Economics” em 1969. Foi economista sênior no Banco Mundial na década de 70, com trabalhos em países como Índia, Quênia e Zâmbia. Iniciou sua trajetória como articulista do Financial Times em 1987, onde é hoje o comentaristachefe de economia .

Wolf não descreve seu livro como um trabalho acadêmico, mas sim como um esforço de persuasão para que os governos, buscando preservar seus interesses de longo prazo, possam construir uma ordem econômica global mais cooperativa. Sua crença básica é que “um mundo integrado pode ser mais benéfico para a maioria dos seus habitantes e que o mercado é a mais poderosa instituição já inventada para elevar os padrões de vida das nações.

O livro está estruturado em cinco partes. A primeira define e explica a globalização econômica como a integração das atividades econômicas, cruzando as fronteiras e unificando os mercados.

A segunda descreve os fundamentos da economia de mercado liberal, notadamente em termos de sua contribuição para a democracia e liberdade pessoal. Atualiza os argumentos do economista austríaco Friedrich Von Hayek, destacando a interdependência entre o mercado e o Estado democrático e chegando, finalmente, à internacionalização. Na terceira parte, aborda a longa história da globalização e o impacto das novas tecnologias – notadamente pelo advento da imprensa e da pólvora, que transformaram o modo de vida das nações.

No capítulo seguinte, o livro aprofunda sua réplica às cinco questões mais críticas levantadas pelos opositores e críticos da globalização: a fúria da desigualdade na distribuição da renda; o poder inibidor das corporações transnacionais; a tristeza com o papel do Estado; o trauma do livre comércio e o pavor das finanças globais dos mercados.

Why Globalization Works

Martin Wolf
Yale University Press
416 páginas
Lançado em 7/2004

As críticas às questões do comércio internacional são solidamente defendidas com base em seus benefícios, assim como a mobilidade dos capitais como fator de desenvolvimento das nações.

Quanto às finanças globais, Wolf critica o esforço de integrar as economias dos mercados emergentes aos mercados globais: “Os ganhos têm sido questionáveis e os custos da crise são enormes”, afirma, culpando o FMI pelo insucesso da não integração dos mercados financeiros.

Finalmente, na quinta parte do livro, Wolf apresenta as ameaças e oportunidades da globalização. Ele destaca sua posição otimista pró-globalização, ressaltando que o principal obstáculo não é a limitação da integração econômica, mas a grande divisão política das nações. “São profundas as diferenças na qualidade institucional dos Estados que determinam a persistência da desigualdade entre os indivíduos. Segundo o autor, o grande desafio está na reconciliação de um mundo dividido, com a exploração das oportunidades de convergência oferecidas pela integração econômica. “Em resumo, se queremos um mundo melhor, nós não precisamos de uma economia diferente. Precisamos sim, de uma nova política. O mercado não é uma selva, a política sim é a grande selva.


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