Um novo olhar sobre a geração de valor

Em livro recém traduzido para o português, John D. Martin e J. William Petty dissecam os efeitos práticos dos modelos VBM

Edição 14 / Prateleira / 1 de outubro de 2004
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ed14_p056-056_pag_1_img_001A abordagem tradicional de que o analista de mercado está fadado a olhar uma companhia sempre do lado de fora caiu por terra na década de 80, quando o chamado “fluxo de caixa livre” emergiu como novo paradigma na avaliação das empresas e de suas ações negociadas nas bolsas de valores. Com esta integração de conceitos e abordagens construiu-se a moderna ideologia dos fundamentos das finanças corporativas. Em Wall Street, acionistas começaram a pressionar as corporações para gerarem mais valor a suas ações, a partir de um aprimorado grau de eficiência que tornaria disponíveis todas as informações, ao mesmo tempo, para os mais diversos agentes.

John D. Martin e J. William Petty, professores da Hankamer School of Business da Baylor University, escreveram em 2000 Value Based Management: The Corporate Response to the Shareholder Revolution, cuja tradução foi lançada recentemente pela Quality Mark sob o título Gestão Baseada em Valor, a Resposta das Empresas à Revolução dos Acionistas.

Martin e Petty introduzem o livro destacando que as referências de mercado mudaram quando surgiu a concorrência entre o modelo contábil baseado no lucro líquido e outro fundamentado no Fluxo de Caixa Descontado. Nascia ali um novo conceito de que o valor da ação de uma empresa, em qualquer momento, poderia ser medido pelo fluxo de caixa futuro esperado pelos acionistas, devidamente descontado à taxa de risco que determina o valor presente. Tal metodologia permitiria solucionar, inclusive, a limitação dada até então pelo índice Preço/Lucro por ação (P/L).

O grande desafio da avaliação do desempenho das companhias abertas era enfrentar o hiato do anacronismo das medidas contábeis tradicionais: a demora entre o registro contábil e sua divulgação no mercado e as abordagens de cálculo visando o futuro, até aquele momento ausentes do contexto da contabilidade.

O cálculo de valor à vista do futuro apresenta algumas dificuldades na sua modelagem, as quais os sistemas VBM se propõe a resolver. Três modelos estão sendo utilizados hoje por consultores:

1 – O método do fluxo de caixa livre, como proposto pela McKinsey &Co e a LEK/ Alcar. O que o torna importante é o fato de representar o montante distribuído aos investidores e, como tal, se tornar o principal determinante do valor da companhia.

Gestão Baseada em Valor – A Resposta das Empresas à Revolução dos Acionistas
John D. Martin e J. William Petty
Qualitymark Editora Value Based Management – The Corporate Response to the Shareholder Revolution Oxford University Press

2 – O método do valor econômico adicionado/valor de mercado adicionado (EVA/MVA), concebido pela Stern Stewart &Co. O EVA se baseia no conceito do lucro residual: o lucro líquido operacional após impostos menos o custo de oportunidade do uso do capital próprio e de terceiros.

3 – O método do retorno sobre o investimento base caixa (CFROI), utilizado pela Boston Consulting Group e pela HOLT Value Associates. Trata-se de uma ferramenta para medir o desempenho de uma empresa utilizando taxas de retorno. O CFROI pode ser interpretado como uma taxa de retorno média ponderada de todos os projetos que constituem a empresa.

Martin e Petty concluem o livro com pesquisas sobre as evidências empíricas das ferramentas VBM e constroem um largo debate sobre as empresas que aderiram ou não a esses modelos. Com relação aos resultados de longo prazo, não foram encontradas diferenças significativas entre as usuárias e não usuárias. “Por mais frustrante que o resultado possa parecer para os proponentes do VBM, esse tipo de comparação não pode capturar qual teria sido o desempenho das empresas que adotaram o modelo caso não tivessem decidido fazê-lo.” Vale a leitura pela aplicabilidade no nosso mercado.


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