Investidor com lugar reservado

Editorial / Edição 14 / 1 de outubro de 2004
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Eles vêm crescendo aos poucos e, sem muito alarde, começam a recuperar seu espaço no mercado de capitais. Já têm um lugar reservado nas ofertas de títulos das companhias abertas – tanto de ações como de debêntures – e passam a colocar à prova as estratégias de comunicação adotadas pelas áreas de relações com investidores, até então adaptadas às necessidades (e ao conhecimento) dos investidores institucionais. Como mostra a reportagem da jornalista Marta Barcellos, à página 22 desta edição, eles, a quem o mercado se refere hoje como investidores pessoas físicas, já são motivo de uma atenção especial das companhias que visualizam os benefícios de tê-los como parceiros de longo prazo.

Incentivados pelos programas de popularização da Bovespa – e pela redução, ainda que pouco expressiva, das taxas de juros no últimos anos, esses investidores são a esperança de um mercado de ações mais eficiente no futuro e de níveis de poupança adequados ao crescimento necessário para o País. Quando dirigida ao financiamento do setor privado, a poupança dos brasileiros tem boas chances de ser convertida em produção, emprego e saldos positivos na balança comercial. Para o funcionamento do mercado de ações, esses mesmos investidores podem significar mais equilíbrio na oscilação de preços e níveis de liquidez convidativos à entrada de novos investidores.

Neste contexto, como já acontece em mercados de ações mais maduros, o uso da marca como forma de alavancar recursos começa a ganhar um sentido até então pouco explorado. Afinal, é razoável imaginar que a imagem de marca – estreitamente relacionada à qualidade do produto e do atendimento, à postura da companhia na comunidade que a cerca e seu relacionamento com o meio ambiente – passe a influenciar o desejo de adquirir ações por ela emitidas. Trata-se aí da força dos chamados ativos intangíveis, que assumem um papel ainda mais relevante quando o que está em jogo é, sobretudo, a percepção e o senso crítico de um público diversificado e pouco técnico. Como mostra a reportagem da jornalista Luciana Del Caro Lachini, na página 28, estudos apontam que o valor da marca tem sim influência sobre o mercado acionário, não apenas no que diz respeito à decisão de investir mas também na volatilidade dos papéis.

Os últimos acontecimentos revelam ainda que os investidores pessoas físicas estão na mira de todo o mercado de capitais, e não apenas das companhias emissoras de ações e debêntures. Depois da Medida Provisória 206 que, entre outras medidas, isentou de imposto o ganho de capital de pessoas físicas com aplicações em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) se apressa para viabilizar a popularização desses títulos.

Com tantas novidades à disposição de investidores mal acostumados, treinados a preservar suas poupanças de um dia para o outro em tempos de inflação galopante ou, mais recentemente, a aproveitar as confortáveis taxas de juros pagas pelo setor público com baixo teor de risco, todo o cuidado é pouco. Sem um nível de informação e educação adequado, eles podem transformar as conquistas dos últimos tempos em frustração no futuro próximo. Mais do que nunca, informação, transparência e fiscalização são ótimas pedidas.


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