Bom momento para as debêntures conversíveis

Edição 14 / 1 de outubro de 2004
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ed14_p054-055_pag_1_img_001Uma melhora consistente do mercado de capitais brasileiro pode trazer de volta a emissão de debêntures conversíveis, acreditam profissionais que trabalham na área. Para que esse tipo de título tenha demanda, é necessário conjugar condições do tipo taxas de juros declinantes e perspectivas de alta das cotações em bolsa. Como durante um longo período os juros mantiveram-se em patamares muito elevados e a bolsa não mostrava recuperação consistente, esses papéis praticamente deixaram de ser emitidos.

“À medida que o mercado for melhorando e as aberturas de capital se mantiverem, haverá mais espaço para a emissão de títulos híbridos como as debêntures conversíveis”, diz o diretor de mercado de capitais do banco Banif, Atila Noaldo. Por títulos híbridos entendase aqueles que misturam características de renda fixa (como indicadores de remuneração e datas de pagamento estabelecidas) com renda variável. Essa combinação, avalia Noaldo, aumenta o leque de possibilidades para os emissores.

Uma das vantagens é poder captar recursos pagando taxas de juros inferiores às de uma debênture simples, dado que o investidor tem a possibilidade de transformar o papel em ações e ganhar com a valorização em bolsa. Existem várias formas de estruturar um lançamento desse tipo de título: a conversão em ações pode ser obrigatória ou, mais comumente, facultativa (neste caso, o investidor tem uma espécie de opção). As empresas podem até incentivar a conversão, dando um deságio no preço das ações.

Dependendo do momento em que o investidor resolve converter o papel, a empresa também sai ganhando, já que pode ainda não ter pago o principal do título. Outra vantagem diz respeito ao preço de subscrição, afirma Maurício Ribeiro, diretor da Pentágono DTVM. Quando uma companhia faz uma emissão primária de ações, o preço à vista pode cair por conta da quantidade ofertada. Já com as debêntures conversíveis, essa pressão não ocorre, pois a conversão é feita paulatinamente.

Ele acredita que as debêntures conversíveis são muito interessantes também para as pessoas físicas, que agora começam a participar mais ativamente do mercado de capitais. Elas combinam uma remuneração fixa – que dá maior segurança para os conservadores – com a oportunidade de ganhos no mercado acionário. Na última grande emissão de debêntures conversíveis, do Pão de Açúcar, em 1997, a conversão foi maciça.

Este ano, até o fim de setembro, foram registradas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apenas duas emissões de debêntures conversíveis: uma da Cemar, no valor de R$ 73,6 milhões, e outra da Tupy, de R$ 560 milhões. É ainda muito pouco perto do total de emissões de debêntures, que no ano somaram R$ 6,79 bilhões, até o fim de setembro – incluídas as operações de Cemar e Tupy. Nos anos anteriores, as debêntures conversíveis foram ainda menos expressivas: R$ 68,9 milhões em 2003 e R$ 64,6 milhões em 2002.


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