A queda de um símbolo

Edição 117 / 1 de maio de 2013
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Em maio de 1875, um momento negro abalou a história econômica do Brasil. No dia 17 daquele mês, fechou as portas a casa Mauá & Cia., banco que conduzia os negócios de Irineu Evangelista de Souza — o barão e visconde de Mauá, símbolo do empresariado brasileiro.

Maior empreendedor de seu tempo, Mauá havia construído um império econômico e financeiro. Aos 32 anos incompletos, em 1845, assumiu a presidência da Bolsa do Rio, que dirigiu até 1847. Na década seguinte, foi o principal artífice de grandes lançamentos de ações. Criou empresas como a Ponta de Areia, de estaleiros e fundições, o segundo Banco do Brasil e as companhias de Iluminação a Gás do Rio de Janeiro, de Navegação a Vapor do Rio Amazonas, da Estrada de Ferro de Petrópolis e de Luz Esteárica.

Após perder o comando do Banco do Brasil para o Estado brasileiro, o empresário fundou, em 1854, o banco de negócios Mauá, Mac Gregor & Cia., que congregava mais 182 sócios investidores. Estendeu as atividades ao exterior, criando casas na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Argentina e no Uruguai. A incursão uruguaia atendeu a demandas do governo imperial, que pretendia ampliar suas influências na bacia do rio da Prata, e seria causa maior do infortúnio de Mauá. Seu banco chegou a ser o emissor de moeda oficial da república uruguaia.

Mais tarde, o empresário promoveu a internacionalização da economia brasileira, ao lançar em Londres ações das companhias de Gás do Rio de Janeiro e de Navegação do Amazonas — assim como da empresa de iluminação a gás de Montevidéu, também sob sua condução. Mauá deu grande impulso a diversas ferrovias no Brasil, sobretudo à Santos-Jundiaí, cujos empreiteiros ingleses lhe causaram enorme prejuízo. Criou, ainda, a companhia que estenderia o primeiro cabo submarino entre o Brasil e a Europa.

No fim de 1874, uma revolução no Uruguai causou a corrida ao Banco Mauá, que foi forçado a cerrar as portas em fevereiro do ano seguinte. Os desdobramentos se transferiram para o Rio de Janeiro. Em meados de maio a situa- ção era desesperadora, e Mauá recorreu ao Banco do Brasil. Mas o empréstimo de 3 mil contos de réis, com o dobro em garantias imobiliárias, lhe foi negado. Os ativos totais de Mauá representavam cerca de 98 mil contos. Apesar desse poderio econômico, o Banco Mauá decretou moratória em 17 de maio de 1875, encerrando também os negócios em Londres.

O visconde do Rio Branco, então primeiro-ministro do Brasil, amigo e colega de maçonaria de Mauá, expressou o sentimento do País: “O visconde de Mauá é um benfeitor. Sua queda é um infortúnio nacional”.


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