Um imperador na bolsa

Edição 112 / 1 de dezembro de 2012
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Em 2 de dezembro de 1834, o imperador D. Pedro II inaugurou a segunda sede da Bolsa do Rio. A data fora escolhida a dedo. Era o aniversário do monarca, nascido em 1825. A primeira sede da Bolsa, designada como “Praça do Comércio”— hoje centro cultural, a conhecida Casa França — Brasil em frente à Igreja da Candelária —, fora abandonada em 1821, em razão de divergências políticas com D. Pedro I. Desde então, o mercado se encontrava nas calçadas da Rua da Alfândega, defronte daquela repartição pública, e demandava, havia alguns anos, um novo endereço.

Tratava-se de um velho e amplo sobrado na antiga Rua Direita, atual 1º de Março, pertencente ao Tesouro. Usado como depósito de sal e totalmente deteriorado, teve que ser restaurado pelo arquiteto Grangjean de Montigny, que também havia construído a sede anterior. Era no exato local onde, ainda hoje, está o imponente prédio dos Correios. Para assumir as instalações, criou-se uma pessoa jurídica, a “Sociedade dos Assinantes da Praça”. A importância dos negociantes estrangeiros era de tal ordem que a comissão diretora da Sociedade possuía nove membros escolhidos por nacionalidades: dois brasileiros, um dos quais o presidente, dois ingleses e sucessivamente os outros cinco: francês, americano, espanhol, português e alemão.

Naquele 2 de dezembro, a nova casa estava engalanada por bandeiras dos países amigos, tropa e banda de música formada à porta, presença de autoridades e todo o mercado. Ainda não coroado, D. Pedro II era apenas um menino de nove anos de idade. No entanto, por aquela época, sua efígie já encimava os títulos da dívida pública.

O imperador compareceu acompanhado por suas duas irmãs mais moças, D. Francisca e D. Januária. É difícil imaginar que aquelas crianças estivessem compreendendo o que ocorria à sua volta. No entanto, o Jornal do Commercio registrou no dia seguinte que, após o breve discurso do presidente Filipe Neri de Carvalho, o pequeno imperador “respondeu que estava satisfeito e agradecido às demonstrações de afeto pela sua pessoa e que faria sempre tudo para proteger o comércio”. É necessário esclarecer que comércio, na linguagem da época, era o que hoje, em pleno século 21, entendemos como mercado.



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