A retomada

Por que Blackrock, Franklin Templeton, Pimco e Warburg Pincus estão otimistas com o Brasil

Bimestral/Bolsas e conjuntura/Reportagem/Edição 151 / 31 de agosto de 2016
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Ilustração: Beto Nejme / Grau 180

Ilustração: Beto Nejme / Grau 180

Apesar da crise econômica e política — ou talvez justamente por causa dela —, o Brasil está voltando a despertar o interesse de investidores estrangeiros. Alguns, tradicionalmente mais otimistas, só enxergam o que há de positivo. É o caso de Mark Mobius, gestor da Franklin Templeton. “Estou otimista porque os fundamentos do País ainda são muito bons.” Outros investidores já são mais comedidos. “Para que o Brasil cresça e prospere de maneira sustentável, a política fiscal deve ser crível”, ressalta Michael Gomez, diretor da gestora Pimco.

Confiantes no afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff, os investidores apostam na diminuição da volatilidade dos mercados e no retorno do crescimento da economia brasileira. “Num primeiro momento, a retomada está associada ao uso da capacidade instalada que ficou parada”, avalia Piero Minardi, sócio da Warburg Pincus. Problema resolvido? De jeito nenhum. Para Minardi, “uma recuperação mais consistente depende de os bancos voltarem a dar crédito”, uma parte da equação que não pode faltar. Já para Will Landers, gestor da BlackRock, é “depois do impeachment que começa o trabalho duro”.

Mobius, Gomez, Minardi e Landers conversaram com a capital aberto entre o fim de junho e começo de agosto. As próximas páginas desta reportagem, comemorativa dos 13 anos que a CAPITAL ABERTO completa em setembro, são dedicadas às opiniões desses renomados gestores sobre a atual situação política e econômica do País.

“Os fundamentos são bons”

Em artigo publicado há alguns meses na imprensa, Mark Mobius, presidente executivo do Templeton Emerging Markets Group, afirmava: “As pessoas acham difícil acreditar que a situação vai melhorar em um mercado oprimido como o do Brasil, mas percebemos que, em geral, períodos de pessimismo extremo marcam o momento em que um piso está próximo, e esse é o momento em que procuramos investir”. Hoje, Mobius diz acreditar que, enfim, o piso foi atingido — e que os fundamentos da economia brasileira vão assegurar bons resultados para quem se arriscar. Além disso, em sua visão, o Brasil é hoje “provavelmente o país mais progressista do mundo para enfrentar problemas relacionados a governança corporativa, tendo em vista a agressiva campanha anticorrupção em andamento”. A seguir, os principais trechos da conversa.

Tendência ascendente
“O mercado brasileiro já teve uma recuperação e, por isso, pode cair novamente, mas a tendência de mais longo prazo é ascendente. E por longo prazo entendo os próximos três anos. Podemos dizer que o piso já foi atingido. Estou otimista porque os fundamentos do País ainda são muito bons: população jovem, batalha efetiva contra a corrupção, recursos naturais abundantes, base industrial grande e crescente, além de bom potencial exportador. O sentimento entre os investidores está negativo de maneira geral. A recuperação, portanto, será vista como uma surpresa.”

Pessimismo exacerbado
“Todo mundo está esperando uma retração de cerca de 3% do PIB neste ano, mas essa visão pode ser pessimista demais. É possível que haja um encolhimento menor do que o previsto. Além disso, dada a contração da economia do País nos últimos tempos, a base mais baixa fará com que qualquer crescimento seja maior do que o esperado em 2017. A melhora pode decorrer da recuperação das exportações e do avanço dos preços das commodities, assim como de uma retomada do consumo.”

Olhos no varejo
“Os setores ligados ao consumo estão entre os melhores para se investir no Brasil atualmente, já que muitas das ações de companhias orientadas a esse segmento estão sendo vendidas a preços atrativos. Também acredito que o valor das commodities já atingiu um patamar mínimo. O Brasil, portanto, pode esperar obter preços melhores na venda de mercadorias de baixo valor agregado daqui para a frente.”

“É possível que haja neste ano um encolhimento do PIB menor do que o previsto”

Mark Mobius, presidente executivo do Templeton Emerging Markets Group

Mark Mobius, presidente executivo do Templeton Emerging Markets Group

Retomada ampla
“A economia brasileira se saiu pior do que as de outros países emergentes nos últimos dois anos. Mas acredito que nos próximos anos a recuperação será substancial e muito surpreendente. Não existe um ponto de inflexão específico, mas posso afirmar que será uma retomada ampla.”

Reformas
“O principal desafio do País está na área política, por causa da corrupção e das ineficiências que existem. Mas se houver vontade política para implementação de reformas, a situação econômica provavelmente vai melhorar. O impacto [das medidas econômicas tomadas pelo governo do presidente interino Michel Temer] deve ser imediato, uma vez que, se as metas propostas forem efetivamente cumpridas, os fluxos de investimento vão começar a aumentar. E o nível de emprego vai subir junto com eles.”

Combate à corrupção
“Tendo em vista a agressiva campanha anticorrupção em andamento, o Brasil é provavelmente o país mais progressista do mundo no enfrentamento de problemas relacionados a esse assunto. A chave está nos sistemas de vigilância que estão agora em funcionamento, a partir do trabalho dos procuradores.”

“O Brasil ainda vai rastejar um pouco”

Diferentemente de alguns de seus colegas estrangeiros, Piero Minardi, sócio-diretor da Warburg Pincus no Brasil, adota um tom cauteloso ao se referir à economia brasileira. Para ele, se disposta em um gráfico, a curva da recuperação tenderia a assumir um formato de “u” — com um piso que dura mais tempo do que se tivesse a forma de um “v”. “Ainda vamos rastejar um pouquinho mais no fundo do poço”, brinca. Mas não o suficiente para alterar radicalmente os planos da Warburg Pincus no País.

Seu objetivo pessoal é alocar algo como US$ 700 milhões no Brasil nos próximos três ou quatro anos. Atualmente, a Warburg possui cerca de US$ 1 bilhão investidos em ativos brasileiros, o equivalente a 2,5% dos recursos sob sua gestão. Os alvos são empresas de setores como os de consumo, saúde, educação e agronegócio, em que as oportunidades são abundantes. Os padrões de governança corporativa locais, avalia Minardi, dão mais segurança ao investimento nesses setores em comparação com outros países emergentes. E, com o desenrolar da Operação Lava Jato, a tendência é de que essas práticas sejam reforçadas. “Temos uma chance única de reinventar o Brasil”, afirma. Confira abaixo os principais trechos da entrevista.

Piero Minardi, sócio-diretor da Warburg Pincus no Brasil

Piero Minardi, sócio-diretor da Warburg Pincus no Brasil

Cenário incerto
“É difícil dizer que o pior já passou. Na verdade, isso só é válido até que aconteça algo pior ainda.O cenário no Brasil é incerto. As atitudes do governo interino claramente estão na direção certa. A equipe é experiente, o que acalmou os mercados. Mas restam a votação final do impeachment, e, é claro, os futuros desdobramentos da Operação Lava Jato, imprevisíveis. A crise que enfrentamos atualmente é diferente das últimas, que basicamente aconteciam por falta de confiança — não eram propriamente orientadas por uma situação econômica ou financeira ruim.”

Operação Lava Jato
“Não dá para arrumar o lado econômico se não houver respaldo na questão política. As duas coisas são indissociáveis. E não sabemos o que mais pode acontecer no âmbito da Lava Jato. Ainda há muito por vir. Faltam delações, não temos como saber o que ou quem vão atingir. Acho importante que essa operação continue até o fim, mas enquanto ela não termina pode fragilizar o governo politicamente. E, nesse caso, a economia será levada a reboque. O ponto positivo é que temos agora uma equipe econômica de altíssimo calibre. Foi uma surpresa positiva mesmo para quem estava confiante na mudança.”

Perspectivas
“Trabalhamos com um cenário de recuperação gradual da economia em 2016 e 2017. Na média, a contração neste ano ainda deve ser muito forte, mas a tendência é de que, na margem, o PIB fique menos negativo já no segundo semestre — e isso influencia as expectativas para o ano que vem, que pode ter crescimento zero ou um pouco positivo. Num primeiro momento, a retomada está associada ao uso da capacidade instalada que ficou parada. É só ocupar o que deixou de ser usado, e isso é rápido. Mas uma recuperação mais consistente depende de os bancos voltarem a conceder crédito. Essa parte da equação, o capital de giro, não pode faltar. O problema é que os bancos ainda estão com uma ressaca danada, atuando de maneira muito cautelosa. Para isso mudar, a volatilidade precisa diminuir.”

“Uma recuperação mais consistente depende de os bancos voltarem a conceder crédito. Eles ainda estão com uma ressaca danada”

Investimento
“Somos investidores de longo prazo. Gestores de private equity como nós têm ciclos longos para investir, maturar, liquidar. Dado o cenário atual, investidores de curto e de longo prazo podem ter percepções bem diferentes sobre o Brasil. Mercados emergentes têm volatilidade mesmo, estamos acostumados com isso. Temos cultura e paciência para investir aqui, e estamos livres da pressão de ter um valor específico para gastar no País. Temos feito investimentos em um ritmo, digamos, normal. Meu objetivo pessoal é colocar pelo menos US$ 700 milhões para trabalhar no Brasil nos próximos três ou quatro anos.”

Setores
“Alguns setores naturalmente reservam mais oportunidades de investimento no Brasil. Consumo, em geral, sempre vai ser um bom negócio, tanto no caso dos fabricantes de bens de consumo quanto dos varejistas ou distribuidores. Mas há outros, como o setor de saúde. Independentemente da crise, esse segmento ainda não está totalmente estruturado e precisa passar por uma onda de consolidação. O mesmo vale para os setores de educação e agronegócio. O agronegócio, apesar de ser uma vocação histórica do Brasil, ainda não está organizado em torno de empresas com um nível de governança condizente com as exigências de investidores como os fundos de private equity.”

Diferente dos demais
“A realidade brasileira, sob a ótica dos investimentos, é absolutamente diferente da de outros países emergentes. Mal comparando, a China vive hoje um primeiro ciclo de capitalismo, pelo qual o Brasil passou há 50 anos. Por isso, a China de hoje não tem o legado que existe no Brasil. Não tem uma legislação que precisa ser atualizada, não tem o varejo tradicional que precisa migrar para as vendas on-line com todos os riscos que isso envolve. No Brasil e no resto do mundo, isso existe. Aqui há regras mais claras e níveis de governança elevados que não se encontra em nenhum outro lugar do mundo emergente. Por isso é muito difícil comparar esses países. Em resumo, é preciso ter a equipe certa para fazer negócios em cada um deles.”

Governança corporativa
“O País já vinha avançando nos padrões de governança corporativa, com mais transparência nas empresas, até por exigência dos fundos. Agora, com a Lava Jato, essa tendência claramente vai ser acelerada. Temos uma oportunidade única de reinventar o Brasil. Precisamos avançar na resolução dos problemas e parar de varrê-los para debaixo do tapete. Hoje, temos a chance de fazer isso e espero que não percamos essa oportunidade.”

“Hora de cumprir promessas”

“Estou tão otimista com o Brasil quanto já estive há quatro ou cinco anos”, afirma Will Landers, principal gestor de fundos para a América Latina da americana BlackRock. Responsável por um portfólio de aproximadamente US$ 2 bilhões investidos na região, Landers vibra com os rumos da política pós-Dilma Rousseff. Uma equipe econômica de peso e um conjunto de ações coerentes com o núcleo do Plano Real tendem a recolocar o País nos trilhos, na visão do gestor. “Começamos o ano com uma posição abaixo de neutra para Brasil. Mas, hoje, perto de 60% dos recursos de nossos fundos dedicados à América Latina estão investidos em ativos brasileiros”, afirma Landers. Confira os melhores trechos da entrevista.

Novo rumo
“Minha visão é de que o Brasil realmente chegou ao fundo do poço em meados de março, quando se desenhou a perspectiva de não haver mudança de governo, de que o que se veria seriam mais dois anos e meio de governo Dilma Rousseff — e isso, na melhor das hipóteses, manteria o País estagnado. Mas não foi o que aconteceu, e as primeiras mudanças propostas pelo governo interino de Michel Temer mostram como será possível retomar o crescimento.”

Macroeconomia
“Vemos a volta aos preceitos do Plano Real, dos quais o governo começou a se afastar no segundo mandato do presidente Lula. A política econômica de Dilma seguiu diretrizes populistas, e já tínhamos exemplos na Venezuela e na Argentina de que elas não estavam funcionando. Na Venezuela a situação era mais extrema. Na Argentina, antes do governo Macri [Mauricio Macri, atual presidente], era um meio termo. Aliás, vemos a mudança por lá com bons olhos e já voltamos a investir no país. No Brasil, com o governo Temer, voltamos a ter a expectativa de um Estado atuante, porém no seu lugar. Não havia esperança disso com a Dilma. É só ver a reação do mercado, o nível do câmbio, os rumos da bolsa, do risco-país. Tudo está muito mais forte agora do que em março.”

Mudanças positivas
“O governo está agindo corretamente ao não realizar grandes reformas no momento, já que é interino e o processo de impeachment ainda precisa terminar. Mas já vemos mudanças positivas: a redução dos ministérios, a troca de ministros e dos líderes das empresas estatais e a escolha de um presidente para o Banco Central com ações muito mais coerentes e efetivas para trazer a inflação de volta para a meta de 4,5% ao ano. Em especial, chama atenção o calibre das pessoas que estão ocupando hoje o primeiro e o segundo escalões do governo. Agora, é começar a cumprir as promessas.”

Will Landers,gestor de fundos para a América Latina da BlackRock

Will Landers,gestor de fundos para a América Latina da BlackRock

Legislativo
“Aparentemente, o Congresso entendeu a gravidade da crise e está adotando uma atitude favorável ao governo atual. Claro que a discussão será mais acalorada quando os assuntos tratados provocarem mais divisão entre os parlamentares, caso da reforma da previdência. Mas tudo indica que o governo tem suporte no Congresso. A política é o risco hoje. Como se viu no caso da Brexit [plebiscito no qual a população votou pela saída do Reino Unido da União Europeia], é preciso esperar cada voto ser contado. É claro que se dezembro chegar e nenhuma reforma tiver sido feita, ou ao menos discutida, o desapontamento do mercado será grande. Não é porque o impeachment termina que a pressão termina. Na verdade, é aí que começa o trabalho duro.”

Economia
“O problema econômico do Brasil foi causado pelo problema político. Se o País voltar a ter uma política econômica adequada, logo vai reagir. Bem ou mal, o Brasil tem instituições fortes, como o Judiciário. Pelo menos parte do setor privado conseguiu se manter fora da bagunça e com um balanço saudável. Se o endividamento das empresas fosse maior, certamente haveria um número maior de falências na crise. Felizmente, já começamos a ver uma melhora na confiança do consumidor, do empresariado e dos investidores. O Brasil está em recessão há mais de dois anos e, com isso, os estoques foram reduzidos em vários setores. Só com uma recomposição já haverá um impulso.”

Horizonte melhor
“Trabalhamos com um cenário de melhora gradual da economia. O câmbio deve ficar em torno de R$ 3,25 a R$ 3,50 no fim do ano. Já o crescimento do PIB deve atingir cerca de 1% em 2017. A grande diferença entre o Brasil e outros emergentes é o potencial de melhora do desempenho econômico. Essa mudança de 180 graus na política deve gerar um progresso grande na atividade econômica. Outros países não passaram por uma recessão tão profunda, mas também não devem ver uma melhora tão grande.”

“Com o governo Temer, voltamos a ter a perspectiva de um Estado atuante, porém no seu lugar. Não havia esperança disso com a Dilma”

Posição ampliada
“Começamos o ano com uma posição abaixo de neutra para Brasil. Mas, hoje, perto de 60% dos recursos de nossos fundos dedicados à América Latina, que somam patrimônio de cerca de US$ 2 bilhões, estão alocados em ativos brasileiros. Aumentamos nossa posição a partir de março, conforme ficamos mais confortáveis com a situação do País.”

Oportunidades
“Reiniciamos os investimentos focados em large caps de setores dependentes da influência do governo. É o caso das empresas de petróleo e dos bancos, por exemplo. Chegamos a quase zerar o investimento em companhias do setor de petróleo. Mas hoje os balanços desse segmento se beneficiam com a valorização do real, porque as empresas têm muita dívida em dólar. Também investimos um pouco em educação e em consumo, de maneira geral, mas menos no varejo em si. Basicamente, temos dado preferência a setores ligados à economia interna e reduzido a exposição a grandes exportadores. Os ganhos dos exportadores já diminuíram com a mudança no câmbio.”

Jabuticabas
“Vejo os investidores locais relativamente otimistas com o Brasil. Os fundos dedicados à América Latina e a países emergentes também estão mais otimistas agora. Já os fundos globais, que não precisam alocar dinheiro no Brasil, ainda não retomaram os investimentos. Eles não entendem como um governo interino pode tomar as atitudes que toma. Explicar as jabuticabas brasileiras no exterior é sempre difícil.”

“O pior já passou”

Responsável pela administração de alguns dos maiores fundos de renda fixa do mundo, a gestora americana Pimco sempre teve posições elevadas em títulos da dívida brasileira — e isso causou alguns sustos em um passado recente. Diretor executivo de mercados emergentes da empresa, Michael Gomez, ao lado de sua equipe, enxerga hoje um momento econômico mais favorável para o País. Em clima de “o pior da crise já passou”, Gomez aposta em crescimento real já em 2017. Também diz acreditar que a perspectiva de mudança nos rumos da política econômica pós-impeachment pode despertar uma nova onda de investimentos em breve. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Michael Gomez, diretor executivo de mercados emergentes da Pimco

Michael Gomez, diretor executivo de mercados emergentes da Pimco

Luz no fim do túnel
“Depois de dois anos consecutivos de recessão, a economia brasileira parece ter atingido o fundo do poço e, para 2017, já prevemos um leve crescimento real do PIB. Embora o cenário macroeconômico do País permaneça morno, há sinais de estabilização. Um panorama mais positivo para o crescimento, combinado com o ímpeto inflacionário suavizado, um déficit em conta corrente menor e o recente progresso na confiança do empresariado sugerem que o pior da crise já pode ter passado.”

Governo interino
“A maior parte do impacto provavelmente será sentida concretamente no futuro, conforme as mudanças no planejamento fiscal de longo prazo fizerem efeito e alterarem a trajetória do balanço do governo. No curto prazo, no entanto, as primeiras medidas podem mudar radicalmente o sentimento dos investidores e aumentar a alocação de capital no País, conduzindo a uma melhora na performance econômica.”

Taxa de juros
“Por várias razões, o Brasil ainda é forçado a pagar o nível mais elevado de juros nominais e reais entre as grandes economias, de modo a conseguir financiar o orçamento do governo. Para que a economia cresça e prospere de maneira sustentável, a política fiscal deve ser crível o suficiente para dirimir o medo dos investidores quanto ao risco de crédito incorporado nos empréstimos ao País. Além disso, a inflação precisa ser reduzida e levada para dentro da meta determinada pelo Banco Central, e os custos do funding de longo prazo têm de cair drasticamente. Para os investidores que acreditam na viabilidade da economia brasileira no longo prazo, taxas acima de 12% nos títulos públicos locais soam atraentes em base absoluta, e também quando comparadas com os juros da dívida do mundo desenvolvido, que caminham para o campo negativo.”

“O Brasil precisa ter uma política flexível para conseguir poupar o que sobra nos tempos bons das commodities”

Commodities
“Os preços das commodities não são um problema em si para o Brasil. São uma condição que se precisa encarar, assim como a abundância de chuva em determinado ano ou a decisão dos ingleses de cortar os laços com a União Europeia. O País pode fazer muito pouco sozinho para mudar essas condições, então precisa ter uma estrutura política suficientemente flexível para que consiga poupar o que sobra nos tempos bons das commodities. Só assim será capaz de superar os períodos menos favoráveis, que certamente vão existir. ”

Prós e contras
“Em relação a outros países emergentes, o Brasil tem uma série de vantagens inerentes, incluindo o perfil demográfico favorável, a abundância de recursos naturais e o bom funcionamento do Poder Judiciário. Por outro lado, se sai consistentemente mal em pesquisas sobre a facilidade de se fazer negócios e possui um regime tributário altamente complexo e oneroso, por exemplo. Outro desafio do País é resolver de forma duradoura a paralisia que se originou da extrema volatilidade política dos anos mais recentes.”




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