Banco do Brasil (2° lugar – acima de R$ 15 bilhões)

Selo de qualidade

As Melhores Companhias para os Acionistas 2006 / Especial / Relações com Investidores / Edições / Temas / Reportagem / 1 de dezembro de 2006
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Um desavisado que se depare com o índice de governança corporativa do Banco do Brasil (BB), segundo colocado no Ranking Capital Aberto entre as companhias com valor de mercado acima de R$ 15 bilhões e melhor nota do grupo em governança, jamais imaginaria que se trata de uma instituição de capital misto. Para começar, nem teria idéia de que o índice pertence a um banco, uma vez que o BB é a única instituição financeira — e também a única de capital misto — que figura no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Mas justamente o fato de ser controlado pelo governo federal — o que expõe a instituição a interesses políticos e à disputa de poder — fez com que o BB procurasse se distinguir da concorrência, conferindo a si um selo de qualidade independente.

“A entrada no Novo Mercado, realizada em junho deste ano, quando o BB completou 100 anos com ações em bolsa, contribui para atestar a idoneidade do banco, minimizando qualquer tipo de influência que esteja em desacordo com as suas diretrizes”, diz o presidente do BB, Rossano Maranhão Pinto, referindo- se de maneira indireta aos escândalos que, tanto no passado como mais recentemente, colocaram em dúvida a independência da instituição em relação aos interesses de quem ocupa o Palácio do Planalto. O próprio código de ética do BB identifica o banco como “o principal agente financeiro da União”, que atua como “parceiro do governo na implementação de políticas, projetos e programas socioeconômicos, voltados para o desenvolvimento do país”.

Segundo Aldo Luiz Mendes, vice-presidente de finanças, mercado de capitais e Relações com Investidores do Banco do Brasil, isso significa que o banco tem obrigações diferentes daquelas de uma instituição privada. “Temos o compromisso de investir no desenvolvimento regional sustentável, oferecendo, por exemplo, apoio à agricultura familiar, não só com linha de crédito, mas também com assistência técnica”, diz ele, ressaltando que isso faz parte do papel social da instituição. Por outro lado, afirma Mendes, não se pode relegar a segundo plano os interesses de mercado. “Não é fácil para nenhum governo do mundo abrir mão do poder”, lembra, ressaltando que também internamente foi preciso promover um processo de convencimento para a entrada do BB no Novo Mercado. “Mas a sua presença nesse grupo sinaliza um comprometimento inequívoco com o minoritário”, afirma o executivo.

Mais um exemplo de boa governança poderá ser conferido, segundo Mendes, na próxima assembléia geral de acionistas, que indicará mais dois membros para o conselho de administração — um pelo acionista majoritário e outro representando o minoritário. “Ao todo, teremos nove conselheiros, sendo cinco deles independentes”, diz.

Mas existem pontos da atuação do BB no mercado de capitais que ainda precisam ser melhorados, reconhece o vice-presidente. “A liquidez ainda é baixa, embora tenhamos dobrado o índice da metade do ano para cá”, diz. “Temos que cumprir as metas da Bovespa para chegar ao nível de 25% de free float e também adotar uma avaliação sistemática de EVA”, afirma Mendes. Na opinião de Maranhão Pinto, também é preciso imprimir maior agilidade às operações. “Devemos aprimorar a sinergia entre as áreas de estruturação e distribuição”, diz o presidente.

Entre as metas da área no próximo ano, Mendes conta que está o lançamento de ADRs nível 1, para reforçar a liquidez das ações do banco, e também o programa de opção de ações (stock option), para incentivar a diretoria executiva a se comprometer ainda mais com os resultados da instituição. “Também consideramos a possibilidade de fazer o desdobramento das ações (split), para tornar o lote mínimo — hoje de R$ 5 mil — mais acessível, principalmente para os investidores pessoa física”, diz Mendes, cuja área de RI conta com 15 analistas, além de um gerente-geral.

“A entrada no Novo Mercado atesta a idoneidade do banco, minimizando qualquer tipo de influência”

O esforço da equipe em atender os investidores, segundo o vice-presidente, vem rendendo elogios. “Eles apreciam a quantidade e a clareza das informações disponíveis no nosso site”, afirma. A área participa das principais reuniões promovidas pela Associação de Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec) e pela Latibex, vinculada à Bolsa de Valores de Madri. “Também promovemos um grande evento anual para investidores com a vice-presidência e toda a diretoria”, diz Mendes. No evento realizado este ano, dia 30 de novembro em São Paulo, o BB inovou com a transmissão ao vivo pela internet, permitindo que os investidores fizessem perguntas via e-mail. “Também procuramos dar uma atenção especial à nossa rede de agências, uma vez que 30% da última oferta de ações foi para o varejo”, afirma o VP de finanças. Nesse caso, os investidores podem acompanhar nas agências, via rede interna de TV, o anúncio de resultados do trimestre.

No ano passado, o maior banco do país em número de ativos obteve resultado recorde, com lucro líquido de R$ 4,2 bilhões, o que corresponde ao lucro de R$ 5,2 por ação. A valorização das ações do BB no ano, de 29,8%, superou a do Ibovespa (27,7%) no período. Um total de R$ 1,5 bilhão foi destinado à distribuição de lucros entre os acionistas, 57% maior que no ano anterior. Os resultados foram reflexo, segundo o banco, do foco no relacionamento com clientes — que gerou novas receitas — e também da exploração de novos segmentos, como o de crédito consignado. No anúncio dos últimos resultados, em setembro, o BB apresentou aumento de 40% no lucro líquido, que atingiu R$ 4,8 bilhões no acumulado dos nove primeiros meses de 2006 — resultado superior ao conquistado em todo o ano passado. O desempenho se deve especialmente ao avanço da carteira de crédito.

Para o presidente do BB, o cenário macroeconômico que se visualiza, com queda progressiva da taxa de juros e do risco-país, reforça as boas expectativas do banco para 2007. “Nós estamos preparados para dar um salto ainda maior e atingir nossos objetivos”, diz Maranhão Pinto. O executivo destaca os esforços do BB para se adequar a leis e acordos internacionais, como Sarbanes-Oxley e Basiléia II, implementando sistemas de gestão de risco. “Seja como gerador de negócios no Novo Mercado ou como estruturador de operações de empresas e distribuidor de papéis, o Banco do Brasil acredita no crescimento do mercado de capitais.”


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