Atente para os perigos

Especial / Relações com Investidores / Edições / Temas / Reportagem / 1 de setembro de 2009
Por 


Ao investir em um fundo de investimento, você precisa conhecer bem os riscos a que está exposto. Desde o tempo das nossas avós, ouvimos dizer que “quem não arrisca, não petisca”, mas, mesmo sabendo que os investimentos mais rentáveis geralmente estão associados a maiores riscos, é importante conhecer exatamente onde se está pisando antes de optar por qualquer tipo de investimento.

Você não vai perder seu patrimônio se o banco ou a corretora que administra o seu fundo de investimento quebrar. Cada fundo constitui-se como uma pessoa jurídica própria, não se confundindo com a instituição financeira que o administra, o que significa que o dinheiro aplicado num fundo está resguardado de qualquer eventual problema financeiro que a administradora ou a gestora venham a ter.

Os riscos que um investidor corre ao aplicar em um fundo estão ligados especialmente aos ativos que compõem a carteira e à qualidade da gestão, ou seja, risco de que o gestor faça más escolhas na compra das ações ou títulos, não cumpra o regulamento ou não esteja comprometido com a performance do fundo.

Saiba que fundos que apresentam rentabilidade muito superior à média dos produtos da mesma classe provavelmente estão expostos a um risco bem maior que os demais fundos. Se esse não é o seu perfil, não se deixe atrair.

Risco de mercado

É a possibilidade de ocorrer uma desvalorização nos preços dos ativos que compõem a carteira do fundo. Quanto maior a variação nos preços, maior a oscilação no valor das cotas, o que dificulta o cálculo do valor de resgate ou de venda das cotas.

Fundos com menor grau de diversificação estão mais sujeitos a perdas se uma ou mais ações apresentarem uma desvalorização grande. Portanto, entre dois fundos com o mesmo desempenho, a orientação é que se opte pelo de maior diversificação
.
Assim como fazemos ao investir diretamente no mercado de ações, é importante que, ao aplicar em fundos de ações, você saiba os ativos que compõem a carteira do fundo e conheça o desempenho das empresas em que está investindo. Por mais que você confie no gestor do seu fundo, é importante informar-se o melhor possível sobre o setor de atuação da(s) companhia(s), as perspectivas para aquele segmento, e também quanto à qualidade da gestão da empresa.

Risco de crédito

Diz respeito à garantia de que o título será liquidado na data de vencimento. Quando um fundo adquire determinado título, ou ele está aplicando esse recurso em um empreendimento ou está realizando um empréstimo a alguém. E, com isso, existe o risco de que o tomador dos recursos não honre com suas obrigações e não pague os juros esperados, ou de que o empreendimento apresente um retorno abaixo do estimado.
Esse risco está presente, com maior ou menor probabilidade, em todos os instrumentos de renda fixa, como CDBs, debêntures, notas promissórias, etc.

Risco de liquidez

Liquidez é a capacidade de transformar um investimento em dinheiro, a qualquer momento, por um preço justo. É um item importante a ser considerado, especialmente nas aplicações de curto prazo. Quando aplica em imóveis, por exemplo, o investidor sabe que corre o risco de não conseguir vendê-los imediatamente por um preço justo.

O risco de liquidez está ligado aos ativos ou às cotas que compõem o fundo. Ele acontece mais fortemente em períodos de incerteza no mercado, quando o número de vendedores supera o número de compradores de cotas do fundo. Com isso, o administrador pode não conseguir atender aos pedidos de resgate das aplicações.

Em relação às cotas, o risco é maior no caso dos fundos fechados. Quando o investidor não consegue encontrar um comprador para suas cotas, se vê obrigado a vendê-las por um valor abaixo do esperado, caso precise do dinheiro imediatamente.

Há fundos de investimento que oferecem liquidez diária, mas saiba que eles também tendem a ser os menos rentáveis. Para o caso de investimentos de longo prazo, esse é um item menos importante.

Risco de alavancagem

Os fundos alavancados são aqueles em que os gestores fazem aplicações em um volume maior do que o patrimônio do fundo. Essa condição deve estar clara no prospecto e também pode ser observada analisando a carteira do fundo. Se o mercado estiver a favor, os lucros podem ser excepcionais, mas se a maré for contrária, os cotistas podem perder muito dinheiro e até correm o risco de serem chamados a repor as perdas que ultrapassarem o valor do patrimônio do fundo. Ou seja, em tempos de instabilidade, os riscos de alavancagem tendem a se manifestar mais intensamente.

Assim, entre dois fundos com o mesmo desempenho, a orientação dos especialistas é de que se deve procurar aquele sem alavancagem.

De acordo com a legislação brasileira atual, a alavancagem tradicional por meio de empréstimos é, em geral, vedada. Entretanto, os fundos podem se alavancar usando instrumentos derivativos.

A indústria brasileira de fundos é tida como conservadora e o nível de alavancagem no País é baixo, mas ainda não há limites legais para a aplicação em derivativos. A inclusão de eventuais limites de exposição dos fundos à alavancagem é, inclusive, uma das medidas em estudo pela CVM para alteração da Instrução nº 409.



Participe da Capital Aberto:  Assine Anuncie


Tags:  Investimentos Fundos de Investimentos Encontrou algum erro? Envie um e-mail



Matéria anterior
O mapa da mina
Próxima matéria
Hora de fazer escolhas




Recomendado para você




Nenhum comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.



Leia também
O mapa da mina
No Brasil, além da classificação estabelecida pela CVM para os fundos mais ofertados ao público, existe uma subclassificação...