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Qualquer decisão de investimento financeiro começa com um pequeno exercício de planejamento e autoconhecimento. Que tipo de investidor você é? Quanto você pretende investir periodicamente? Quais são os seus objetivos atuais e planos para o futuro?
Comece pelo básico: defina o montante de dinheiro que você tem para investir, faça uma lista com os seus objetivos de curto, médio e longo prazo, como por exemplo:
• compra de um imóvel;
• viagem ao exterior;
• educação dos filhos;
• aposentadoria.

Para cada um deles, reserve uma fatia do bolo e calcule em quanto tempo precisará de cada fração desse dinheiro. Essa conta vai ajudá-lo a definir um ou mais produtos de investimento segundo seus objetivos. Se estiver comprando ou reformando uma casa, por exemplo, e vai usar parte daquele recurso no curto prazo, isso deve ser considerado na sua decisão. O que você precisa, nesse caso, não é da rentabilidade e sim de liquidez, ou seja, ter a possibilidade de resgatar seus recursos no momento em que desejar, sem perder dinheiro.

Você vai aprender ao longo deste guia que, infelizmente, não é possível ter tudo em um único investimento: liquidez, rentabilidade e segurança. Portanto, esse seu planejamento inicial será fundamental para que você escolha o produto que mais se aproxima das suas necessidades.

A maior parte das grandes instituições financeiras oferece simuladores que ajudam o investidor a identificar o seu perfil, com sugestões de hipóteses que levam em conta fatores como objetivos de investimento, horizonte de tempo, ciclo de vida, situação financeira, tolerância a risco e conhecimento sobre o mercado financeiro. Peça ajuda ao gerente do seu banco ou ao gestor de sua confiança.

Fundos de investimento

Conforme a definição usada pelo mercado, os fundos são condomínios formados por investidores, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas, que juntam seus recursos para fazer aplicações em diversos ativos, como títulos, CDBs, valores mobiliários ou ações.

A grande vantagem dos fundos é permitir que pequenos investidores tenham acesso a condições mais vantajosas e menores custos de administração do que conseguiriam individualmente, podendo, ainda, contar com uma gestão profissional. A administração desses recursos é feita por uma instituição financeira (asset management) ligada a um banco, por uma asset independente, ou por uma corretora, que faz a distribuição de fundos. Essa instituição, por sua vez, contrata um gestor que será o responsável por escolher os ativos que compõem a carteira do fundo e por tomar as decisões diárias de movimentação dessa carteira.

Além de serem um caminho mais seguro para quem tem pouco tempo e dinheiro, os fundos também são bastante utilizados por grandes investidores que aproveitam a experiência e o tempo de dedicação dos gestores profissionais para aumentar a rentabilidade das suas aplicações, especialmente por meio dos fundos de ações. Afinal, nem sempre um investidor tem disciplina, tempo e até mesmo conhecimento suficiente para investir diretamente na Bolsa de Valores.

Apesar de existirem uma classificação específica dos fundos de investimento pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e uma subclassificação feita pela Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), de uma forma bem genérica, os produtos disponíveis no mercado se encaixam em duas categorias: fundos de renda fixa ou de renda variável. As exceções são os fundos cambiais, os fundos ligados à indústria do cinema, os fundos de investimento em direitos creditórios, e os fundos de investimento imobiliários, que possuem características muito particulares.

Renda fixa

Ao aplicar nesses fundos, você está comprando títulos de dívida emitidos pelo setor público, por intermédio dos títulos públicos federais; e pelo setor privado, emitidos por bancos e empresas em geral. São contratos por meio dos quais você empresta dinheiro ao emissor do papel e, em troca, ele lhe paga quantias fixas e regulares pelo pagamento dos juros até a data de vencimento do papel.

Há duas modalidades de renda fixa:
• os fundos prefixados, em que o investidor conhece, no momento da aplicação, a rentabilidade do investimento que terá quando fizer o resgate. A taxa varia conforme o risco de inadimplência do papel;
• os fundos pós-fixados, em que a aplicação é remunerada a partir de um indicador financeiro atrelado à taxa de juros do mercado, como a taxa DI, a taxa Selic, o Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M), dentre outros.

Renda variável

Você pode investir em renda variável indo sozinho ao mercado, comprando ações na Bolsa de Valores, ou aplicando em fundos de investimento, cujos profissionais qualificados fazem isso por você. Caso opte por investir através de um fundo, pode escolher entre diversas alternativas: fundos de ações, multimercados, ou de derivativos. Nesses casos, você está comprando dividendos (lucro da empresa distribuído aos acionistas) ou ganho de capital, que é o lucro obtido pela valorização das ações.

Como já dissemos no início do guia, a redução significativa nas taxas de juros tende a deflagrar uma migração de parte dos recursos para os ativos de maior risco na busca por ganhos mais elevados. E é nesse contexto que os fundos de renda variável ganham destaque. Esses fundos possuem um nível maior de risco do que os de renda fixa, mas, por outro lado, tendem a apresentar rentabilidades melhores.

É possível minimizar esses riscos e maximizar seus ganhos fazendo uma análise detalhada antes de escolher o seu fundo de investimento. É sobre isso que passamos a falar.

FUNDOS DI x POUPANÇA

Uma das maiores preocupações das instituições financeiras no início de 2009, após a consistente queda da taxa básica de juros, foi uma possível migração em massa dos fundos DI para as cadernetas de poupança, já que os juros na casa dos 8,75% tendem a minguar os rendimentos dos fundos de renda fixa que são atrelados aos juros. Isso porque a poupança, apesar de apresentar uma rentabilidade menor, em torno de 7% anuais, não é tributada com o imposto de renda, como é o caso dos fundos. No frigir dos ovos, quem aplicou na poupança pode obter um ganho maior.
Atento a essa questão e pressionado pela indústria de fundos, o governo tem estudado a possibilidade de passar a tributar os investimentos na poupança superiores a R$ 50 mil a partir de 2010. Nenhuma medida provisória ou projeto de lei nesse sentido, contudo, haviam sido encaminhados ao Congresso até o fim do primeiro semestre de 2009.
Os investimentos em fundos DI são geralmente utilizados para a compra de títulos públicos, e uma eventual saída em massa desse produto em direção à poupança se caracterizaria como uma ameaça para o refinanciamento da dívida pública pelo governo brasileiro. Os bancos, por sua vez, perdem, com isso, a receita originada pelas taxas de administração, valor bastante significativo, já que os fundos referenciados DI detêm 15% do mercado. Outra intenção anunciada pelo governo é a de reduzir temporariamente a alíquota do IR sobre as aplicações de renda fixa, que hoje varia entre 22,5% e 15% conforme o tempo de investimento.


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