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Aguardados como a novidade do setor em 2009, fundos de fundos devem diminuir custos e propiciar o acesso de investidores menores

Especial/Relações com Investidores/Private Equity e Venture Capital/Reportagem/Edições/Temas / 1 de dezembro de 2008
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Investir em private equity (PE) não é para qualquer um. São poucos os que dispõem de algumas dezenas de milhões de reais para alocar nesse tipo de fundo, principalmente se o objetivo for ter alguma participação nas tomadas de decisão. Por isso, uma das formas de ampliar o acesso do investidor ao private equity é através dos fundos de fundos. Esse tipo de investimento ainda inexiste no Brasil, mas tem chances de ser uma novidade em 2009.

O assunto foi um dos temas discutidos no Private Equity World Brazil, conferência realizada entre os dias 2 e 4 de dezembro, em São Paulo. Em meio a um mercado mais amadurecido, como o brasileiro, o consenso é o de que os fundos de fundos PE encontrem condições de emplacar. “Passada pouco mais de uma década dos primeiros investimentos no País, o private equity provou estar consolidado e passou a atrair a atenção de muitos investidores”, conta Luiz Eugênio Figueiredo, sócio diretor da Rio Bravo e presidente da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP).

Lá fora, fundos de fundos PE já existem desde a década de 90. Segundo dados da Preqin, empresa de consultoria e pesquisa em investimentos alternativos, havia, em 2007, 440 fundos dessa natureza no mundo, nenhum para a América Latina. O maior deles é o AlpInvest, da Holanda, fundado em 1999 e com mais de US$ 40 bilhões comprometidos com private equity. Também existem fundos menores, como o Utah Fund of Funds, organizado pelo governo do estado norte-americano para incentivar o empreendedorismo na região.

Ainda não se pode dizer que o investimento em empresas promissoras estará ao alcance do investidor pessoa física tradicional. Uma aplicação em fundos de fundos costuma exigir investimento mínimo na casa de US$ 1 milhão. Dentre os grandes beneficiados de uma possível chegada desse produto estariam os fundos de pensão médios e pequenos, seguradoras, clubes de investimento, empresas, family offices e investidores de varejo com bom poder de fogo.

“Já trabalhei em um fundo de pensão de pequeno porte e lembro como eles desejavam participar de empreitadas em private equity, mas não tinham dinheiro para isso”, diz Lorena Asunción Zeny, gerente de investimentos da Fapes, fundo de pensão dos funcionários do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Entre os beneficiados, estão os fundos de pensão médios e pequenos, seguradoras, clubes de investimento e family offices

“Alocar R$ 20 milhões para investir em private equity não chega a ser um grande problema para a Previ, por exemplo, mas, para um fundo pequeno, esse valor chega a ser tudo o que eles têm para investir”, afirma Álvaro Gonçalves, sócio da Stratus. Com um fundo de fundos, esses investidores podem entrar nesse mundo com valores relativamente baixos e riscos diluídos.

Mas os fundos de fundos não se restringem ao investidor de pequeno e médio porte. Grandes fundações não sentem o bolso pesar somente na hora em que aportam recursos diretamente no private equity. Há gastos com a criação de uma equipe de analistas exclusiva, com advogados, viagens, reuniões e participações em comitês e conselhos. Não que os fundos grandes substituiriam sua participação direta por aplicações em fundos de fundos. “Eles podem lançar mão de investimentos em fundos de fundos como forma de aumentar sua exposição ao PE de maneira diferenciada”, explica Leonardo Ribeiro, sócio da Ocroma.

E mesmo que investidores graúdos não invistam na novidade, esclarece Gonçalves, eles poderão se beneficiar dela indiretamente. “Com a chegada dessas carteiras, mais investidores entrarão no jogo e farão o mercado se desenvolver mais rápido, seja na melhora do nível de profissionais quanto dos próprios fundos de private equity”, conta.

Com o mercado amadurecido e numerosas opções de investimentos em fundos de private equity, quais são os critérios de seleção de um fundo de fundo? Leonardo Ribeiro relata que, além de considerar preço e portfólio atual, a seleção conta com uma análise “top-down” — olhar para setores da economia e pinçar gestores mais bem posicionados nesse cenário. Depois disso, segue uma análise “bottom-up”, observando detalhadamente a equipe (habilidades, comprometimento com o negócio, filosofia do produto, coerência da estratégia, performance em outras situações), assim como as possibilidades de saída dos investimentos. “Também se levam em conta parcerias que agregam valor estratégico ao fundo, como aquelas com bons escritórios de advocacia, consultorias e auditorias”, assegura Ribeiro. A Ocroma está estruturando o primeiro fundo de fundos private equity do Brasil. Assim que o produto estiver pronto, diz Ribeiro, as captações serão iniciadas.

Um ponto não muito amigável dessa modalidade é a sua remuneração, já que são cobradas taxas além do que é pago aos fundos de private equity. A taxa de administração de um fundo de fundos internacional gira em torno de 0,5% a 1,5%, enquanto a taxa de performance varia de 5% a 10%. Na opinião de Ribeiro, os custos compensam. “Os valores são infinitamente menores dos que o investidor gastaria com equipe especializada”, compara.

Superados os piores momentos da turbulência financeira global, a perspectiva é que os fundos de fundos se espalhem no Brasil. Gonçalves, da Stratus, entende que, num primeiro momento, o papel de disseminador do novo tipo de investimento será desempenhado pelas grandes instituições financeiras, que detêm maior poder de fogo. “Passado esse estágio, o mercado terá condições de abrigar também gestoras independentes”, finaliza.


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