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Varejistas que ofertam serviços financeiros fecham ano com recuo na inadimplência
Das companhias analisadas pela Fitch Ratings, MercadoLibre e C&A se destacaram no 4º trimestre de 2023 com as maiores quedas
Varejistas, Varejistas que ofertam serviços financeiros fecham ano com recuo na inadimplência, Capital Aberto

Principais varejistas brasileiros que operam serviços financeiros apresentaram redução da inadimplência no último trimestre de 2023. Segundo a Fitch Ratings, isso pode indicar uma tendência gradual para os próximos trimestres, que será essencial para essas empresas preservarem seus perfis de crédito e recuperarem os fluxos de caixa a partir de 2024. A melhora, ainda que moderada, interrompe uma trajetória de severa deterioração iniciada no final de 2021.

Segundo Renato Donatti, diretor da Fitch Ratings, a redução da inadimplência está na combinação de duas variáveis. “A primeira, uma variável um pouco mais macro, é que já começamos a sentir um pouco da renda adicional no bolso da população, seja por via do aumento dos índices de emprego ou da redução parcial capturada nas taxas de juros. Saímos do pico de quase 14% para 10,75%, o que já traz uma melhora”, afirma. “A segunda variável, tão importante quanto ou mais importante, foi o fato das companhias também estarem um pouco mais disciplinadas no controle da concessão de crédito, com duas exceções, de MercadoLibre e C&A que continuaram ofertando crédito de uma forma um pouco mais robusta”, complementa Donatti.


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A média de atrasos acima de 90 dias nos serviços financeiros de C&A, Carrefour, Grupo Casas Bahia, Guararapes, Magazine Luiza, MercadoLibre (Meli) e Lojas Renner diminuiu para 15,3% no quarto trimestre de 2023, frente a 16,7%, 17% e 16,6%, respectivamente, no terceiro, segundo e primeiro trimestres do ano, mas segue significativamente acima dos 13,4% apurados em 2022 e dos 9,8% de 2021. 

A renda adicional do décimo terceiro salário é um fator sazonal que pode ter favorecido as taxas de inadimplência no final do ano, mas esta tendência não foi observada nos últimos dois anos, o que também contribui para a expectativa de tendência de redução ao longo de 2024.

“Os 15,3% são uma queda frente aos números muito altos que vimos, principalmente ao longo de 2023 e final de 2022, mas se olharmos a média histórica, eles são muito menores do que esse. Esses números, historicamente, estavam entre 9% e 11%, excluindo o período de pandemia”, aponta Donatti. “Eles subiram muito desde 2021, se mantiveram altos por um bom período, refletindo os patamares de inflação mais altos no passado e o aumento nas taxas de juros que foram bastante acentuados.”

Mesmo com a melhora na inadimplência, em relação ao desempenho das ações, 2023 foi desfavorável para as varejistas analisadas pela agência de classificação de crédito. Das 6 companhias, 4 delas apresentaram retorno total – desempenho das ações mais o pagamento de dividendos – negativo no ano.

Apenas Guararapes, dona da Riachuelo, e Lojas Renner fecharam 2023 com retorno positivo.

Varejistas, Varejistas que ofertam serviços financeiros fecham ano com recuo na inadimplência, Capital Aberto

Varejistas destaque

Entre as empresas classificadas pela Fitch, o MercadoLibre apresentou a maior queda de inadimplência em seus serviços financeiros, para 18,7%, de 24,5% na média dos três primeiros trimestres de 2023. Já a C&A apresentou redução mais moderada, para 18,8%, de 21%, anteriormente, e permanece com o desafio de apresentar melhora mais expressiva em seus resultados na atividade financeira. Por sua vez, a Guararapes registrou ligeira diminuição, para 18,4%, de 18,7% no terceiro trimestre, mas ainda acima da média de 17,8% dos três primeiros trimestres. Ainda assim, terminou 2023 com o menor indicador das três empresas.

Segundo Donatti, o Meli vem de um crescimento mais forte na carteira, junto com a C&A, que são as empresas que mais recentes nesse segmento de concessão de crédito.

“Elas chegaram a bater um pico de inadimplência de quase 30% no quarto trimestre de 2022, e achamos que, neste momento, as taxas de crescimento continuam altas, mas são menores do que as do passado. Elas já têm uma carteira de crédito relativamente bem estabelecida, o que permite que a companhia consiga ser mais assertiva na concessão de crédito”, afirma Donatti, acrescentando que a afirmação também vale para C&A, que veio aumentando a carteira e melhorando a inadimplência. “A gente viu um número um pouco melhor no 4º trimestre, ainda que não possa dizer que essa é uma tendência que vai se perpetuar ao longo do ano, existem fatores importantes que nos levam a crer que o cenário em geral vai ser um pouco melhor, mas isso vai depender muito também do apetite dessas companhias de continuarem crescendo.”

Em 2023, o portfólio de crédito dessas companhias cresceu 8%, fortemente influenciado pelas expansões de C&A (+71%), Meli (+33%) e Carrefour (+24%). Já Guararapes (-7,3%), Casas Bahia (-3,6%), Lojas Renner (-2,7%) e Magazine Luiza (-0,9%) adotaram uma postura mais cautelosa e reduziram as originações durante o ano, tendo em vista o cenário adverso para seus segmentos de varejo e maiores pressões financeiras sobre seus balanços, com exceção da Renner, que possui balanço mais robusto.

Desafios e perspectivas para 2024

Apesar da queda, a agência de classificação de risco aponta que o setor ainda terá desafios a enfrentar. Donatti afirma que fatores como o alto endividamento familiar, a diminuição das concessões de crédito e as altas taxas de juros são determinantes.

“Combinado ao endividamento, o varejo, principalmente o discricionário, normalmente depende de crédito. E quando vemos um cenário de deterioração da inadimplência, vemos as empresas segurando um pouco a concessão de crédito. Isso, de certa forma, acaba sendo limitador. E por isso é importante que a inadimplência comece a cair com uma velocidade um pouco mais rápida, para que as companhias se sintam mais confortáveis de voltar a conceder mais crédito para, assim, também ajudar o desempenho do varejo”, aponta Donatti.

Para 2024, a Fitch acredita que o varejo deve ter uma melhora. “Isso conversa um pouco com esses patamares de inflação mais controlados. Temos um nível de emprego resiliente e um aumento do salário mínimo de mais ou menos 7%. Achamos que é um fator importante para recompor uma parte da renda que acabou sendo prejudicada pela inflação dos últimos três anos. Esse reajuste de 7%, isoladamente, não vai recompor 100% do poder de compra, mas ajuda”, diz Donatti. 

Marco Saravelle, estrategista chefe da MSX Invest, afirma que o setor está recebendo muitos estímulos, com renegociação de dívida para a população e injeção de recursos por parte do governo, o que, naturalmente, tende a reduzir um pouco a inadimplência. “A princípio, concordo que a gente tem muito mais notícias positivas do que negativas nesse ponto. Temos que olhar não só para os resultados do varejo, mas principalmente dos bancos. E acho que é uma certeza que não vai haver uma explosão de inadimplência, uma piora muito grande, que é da grande preocupação. Acho que esse é o principal ponto”, aponta Saravelle.

 “O desempenho das ações em bolsa tem sido muito determinado pela curva de juros de longo prazo, acho que não por conta desses fatores mais pontuais, mas, de certa forma, em termos de inadimplência, temos uma surpresa positiva para bancos e para o varejo como um todo para o ano.” 

Para 2024, a Fitch ainda tem uma perspectiva neutra para o setor, em cima de uma base fraca de 2023. “No final do ano passado, vimos também diversas empresas melhorando o nível dos estoques, aproveitaram o final do ano para fazer algumas promoções, entrar em 2024 com níveis mais controlados. Isso tudo indica que este ano tem de tudo para ser um melhor para as varejistas do que 2023”, comenta Donatti, que cita o evento Americanas e a onda de refinanciamentos de curto prazo. “O que a gente tem visto agora é que o mercado realmente está mais líquido e isso tem permitido que as companhias, não só de varejo, mas especialmente as que comentamos aqui, consigam refinanciar as suas dívidas a prazos mais longos”, afirma o diretor da Fitch. 

Caroline Sanchez, analista de varejo da Levante Inside Corp, analisa os dados das varejistas e acredita que o primeiro semestre de 2024 ainda será de cautela para o mercado. “Nesse primeiro semestre, acho que o mercado deve ficar, em geral, um pouco mais cauteloso em relação a tomar um pouco mais de risco. Acredito que nesse período o foco vai ser mais no macro, mas olhando para o segundo semestre, vamos conseguir focar mais no micro, para a qualidade das empresas, olhar valuation, e no sentido de queda de juros, ela deve favorecer mais as empresas que estão mais alavancadas”, afirma Caroline. “Essa é uma questão que contribui em duas vertentes, tanto do ponto de vista do estímulo ao consumo da população, como também consegue contribuir em relação ao custo de capital dessas empresas que estão mais alavancadas.”


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