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Queda da confiança é o principal motivo para baixa das ADRs de empresas brasileiras
Nos primeiros cinco meses do ano, Itaú, Petrobras e Sabesp caem, enquanto Zenvia, Embraer e Nu Holdings sobem
ADRs, Queda da confiança é o principal motivo para baixa das ADRs de empresas brasileiras, Capital Aberto

As dúvidas com relação ao início do corte de juros nos Estados Unidos, somado ao risco fiscal brasileiro, que tem impactado a retirada de estrangeiros da B3 este ano, também tem reflexo nos ADRs (recibos de depósitos americanos) das empresas brasileiras.

Um levantamento elaborado pela Elos Ayta Consultoria mostra que o índice BR20, que acompanha o desempenho das 20 maiores empresas brasileiras negociadas nos EUA, acumula um retorno negativo de 15,08% (em dólares) até o dia 3 de junho.


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Embora grandes empresas como Itaú, Petrobras e Sabesp, que fazem parte do BR20, apresentem desvalorização no período, companhias como Zenvia, Embraer e Nu Holdings acumulam alta significativa nos primeiros cinco meses do ano. 

Para Norberto Sangalli, broker da mesa de renda variável da Nippur Finance, o investidor estrangeiro tem menos confiança em investir em países que têm problemas com as contas públicas e poucos motores de crescimento de longo prazo, como é o caso do Brasil.

“Por outro lado, o país tem muito potencial, uma produtividade ok, e mesmo em cenários difíceis muitos estrangeiros carregam posição na bolsa brasileira sabendo de tais riscos, por conta do nosso potencial de reversão e por estarmos melhores que a média de outros emergentes”, diz Sangalli.

ADRs, Queda da confiança é o principal motivo para baixa das ADRs de empresas brasileiras, Capital Aberto

Embora haja uma correlação entre as ações no Brasil e os ADRs, é importante ressaltar que para investir lá é necessário avaliar a taxa de câmbio e a liquidez dos ativos. “O investidor estrangeiro leva em consideração a perspectiva futura da taxa de câmbio entre dólar e real para avaliar se vale a pena se posicionar em Nova York ou em São Paulo, como também se o ativo em Nova York tem liquidez. Tendo isso em conta, a performance dos ADRs brasileiros com maiores altas e baixas é similar com o desempenho das ações na B3”, segundo Leandro Manzoni, analista de economia do Investing.com.

Em relação as ações, o maior destaque do ano é a Embraer, que acumulada uma alta de 68,56% na B3 e as ADRs de mais de 50%, até segunda-feira (3), devido ao crescimento da carteira de vendas de aeronaves pela fabricante brasileira de aeronaves, além da companhia ser pioneira na inovação e desenvolvimento do carro voador (eVTOL). 

Outro papel muito bem-quisto este ano, se tornando, inclusive, um dos queridinhos do mercado, é o Nubank, cujas ações são diretamente negociadas em Nova York. No ano, a ação apresenta avanço de 37%, diante das perspectivas positivas com os negócios da companhia, além de ter alcançado 100 milhões de clientes. Entre os acionistas da companhia, destaque para o megainvestidor Warren Buffett, além da perspectiva de as ações se tornarem componentes do índice MSCI Brazil também impactar positivamente. 

De acordo com o analista do Investing.com, a entrada das ações do Nubank no índice levará gestores de ETFs e fundos a aumentarem a sua participação nos papéis, uma vez que esses ETFs e fundos replicam a carteira teórica do índice. “Como o mercado segue o lema ‘compra no boato e vende no fato’, muitos investidores se antecipam para poder vender a um preço maior as ações do Nubank a esses gestores caso os papéis efetivamente entrem no referido índice”.

Enquanto Embraer e Nubank sobem por aumento de performance, a Zenvia, que é uma empresa com dificuldades financeiras, anunciou no início do ano uma renegociação da dívida, com 6 meses de carência. “Além disso, o fundador e CEO da empresa injetou recursos próprios na empresa esse ano, um sinal de confiança no negócio”, conta Manzoni.

No ano, a Zenvia acumula uma alta de 162,71% nos primeiros cinco meses do ano.

E as quedas, o que acontecem com as empresas?

O EWZ, que replica o desempenho do índice MSCI Brazil 25/50 em dólares, está caindo em torno de 16% no ano, tendo como reflexo a queda da maioria das empresas que representam o índice.

Neste caso, destaque para a Petrobras, que tem uma queda acumulada dos ADRs de quase 5% no ano, enquanto na B3 a ação preferencial e a ordinária possuem uma alta de mais de 9%. Aqui, há uma descorrelação entre os papéis, provavelmente refletindo à governança da estatal.

“PBR (PETR4) cai em torno de 1,5% esse ano, enquanto BDORY (BBAS3) e ITUB (ITUB4) caem em torno de 8% e 10%, respectivamente, o que demonstra que essas ações estão com fluxos melhores, mais defensivas, dado que o próprio índice caiu quase o dobro”, comenta o analista da Levante.

ADRs, Queda da confiança é o principal motivo para baixa das ADRs de empresas brasileiras, Capital Aberto

E a perspectiva daqui para frente

Embora o momento seja de cautela, os especialistas consultados afirmam que as companhias brasileiras ainda são estratégicas para os investidores estrangeiros, já que o Brasil possui ótimas exportadoras e alguns dos papéis estão baratos.

“Do ponto de vista fundamentalista, as ADRs da Petrobras e dos bancos como Itaú e Santander Brasil tem potencial de alta, pois estão baratas, de acordo com a plataforma de análise fundamentalista do Investing.com, o InvestingPro”, analisa Manzoni.

Além disso, o Brasil é muito competitivo quando o assunto é produtos essenciais à economia mundial, o que acaba pesando na análise do investidor, mesmo com toda a complexidade.

“Nosso país é muito competitivo em produzir e exportar produtos que são essenciais à economia global, e temos empresas que dificilmente perderão seus postos de mercado, como grandes bancos, justamente pelas barreiras de entrada no setor”, finaliza Sangalli.  


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