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Brasil tem espaço para nova bolsa? Especialistas respondem
Custos altos e contraparte central são desafios para possível concorrente da B3. Atuação em segmentos específicos pode ser opção
Nova bolsa, Brasil tem espaço para nova bolsa? Especialistas respondem, Capital Aberto

A notícia corre solta no mercado: a plataforma de negociações de ativos financeiros Americas Trading Group (ATG) desengavetou o plano de abrir uma bolsa de valores no Rio de Janeiro. Segundo o jornal O Globo, a ideia é estrear no segundo semestre de 2025 e operar ações, derivativos, câmbio e commodities. Não é a primeira vez que a ATG tenta a empreitada. Em 2012, a empresa chegou a entregar os documentos necessários para a CVM e, em 2019, depois de um longo processo de arbitragem, concluiu um acordo para utilizar o serviço de depositária da B3 no negócio. Ainda assim, o plano não vingou, como também não foram para frente outras tentativas de empresas de índices acionários americanas interessadas em fincar o pé aqui.

Desta vez, porém, a ATG chega com o cacife de seu novo controlador, a Mubadala Capital, pertencente ao fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos. Diante disso, vem a pergunta: será que agora o plano sai do papel? Em busca de respostas, a Capital Aberto ouviu quatro especialistas, Carlos Reissmann, CEO da Criteria; Pedro Gonzaga, sócio e analista da Mantaro Capital, gestora com foco em ações; Gustavo Harada, chefe da mesa de renda variável do escritório de agente autônomos Blackbird Investimentos, e Ricardo Rocha, líder da trilha de finanças da pós-graduação do Insper. Em comum, todos disseram que concorrer com a B3 não será tarefa fácil – nem barata

“Acho muito desafiador, principalmente pela questão de demanda e custo”, diz Reissmann. “O negócio exige competitividade em termos de preço e profundidade de produtos”, argumenta. Rocha pensa parecido. “Depois da fusão que criou a B3, a estrutura de capital ficou muito parruda, então, para competir, é preciso colocar muito dinheiro”, diz. Ele também é reticente em relação ao tamanho do mercado brasileiro. Na sua avaliação, para comportar uma nova bolsa, o Brasil precisaria de 400 empresas listadas e dobro de investidores, o que, nos seus cálculos, exigirá que a renda no país também dobrasse. “Para isso, o PIB teria de crescer 7 % ao ano, durante 10 anos”, calcula. “Então, as condições não são as mais favoráveis para o novo negócio.”


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Embora discorde de que o mercado brasileiro tenha tamanho para uma nova bolsa, Gonzaga, da Mantaro Capital, compartilha com Rocha a visão de que um dos grandes obstáculos ao novo negócio está na criação de um sistema de contraparte central, que oferece aos investidores a garantia de que as transações sejam honradas. “Os reguladores preferem que a bolsa assuma o papel de contraparte central, especialmente nas transações de equity e de derivativos”, diz ele. “Não parece crível que a CVM e o Banco Central aceitem uma flexibilização neste outro fórum que dessem menos segurança do que já existe”, afirma. Rocha faz coro: “Vem gente do mundo todo conhecer a contraparte central da B3, e a CVM não veria sentido em retroagir”.

O sistema, porém, é custoso. “Será preciso alocar muito capital para demonstrar um sinal forte para todos os participantes de mercado: pode confiar em mim como contraparte central. Quando eu assumir o risco de qualquer contraparte sua, posso ficar seguro de que eu vou honrar com as obrigações”, diz Gonzaga. Indagada pela Capital Aberto, a CVM confirmou em nota que está analisando o pedido para criação da nova bolsa, mas disse que não comenta casos específicos.    

Segundo o analista, também sairia cara a migração das corretoras à nova bolsa. “Existe um custo operacional relevante para preparar os sistemas para integração à plataforma da B3”, afirma. Na sua avaliação, a superação dessa barreira é fundamental para o sucesso da empreitada de nova bolsa. “Uma forma de contornar o problema seria o novo concorrente assumir parte desse custo.”

Onde atuar?

Para ele, a atuação da nova bolsa em nichos específicos também ajudaria a dar competitividade ao novo negócio, como ocorre nos Estados Unidos, com, por exemplo, a Nasdaq com foco em empresas em tecnologia, e no Canadá, que tem uma bolsa especializada em mineração. “Seria preciso pensar em um nicho desassistido”, diz Gonzaga. “Talvez alguma tecnologia, agora que existe um ambiente de venture capital mais pujante no Brasil, possa ser uma possibilidade”, continua. “Um ângulo potencial é o acesso à listagem de empresas menores.” Mas pondera: “a dificuldade é que, quanto menor a empresa, mais difícil ter um free flow que seja líquido para ser negociado”.

Na sua opinião, a opção menos complexa seria competir com a B3 no mercado original da Cetip. “Aí já surgiram vários pequenos concorrentes, especialmente em registro de renda fixa cotas de fundos.” Para Ressmann, operações de renda fixa seriam outro possível foco. “É um mercado gigantesco o brasileiro e, como quem acaba absorvendo isso são as corretoras, acho uma bolsa para esse tipo de instrumento faria sentido”, afirma. Ainda assim, ele aponta obstáculos: “para a B3, que é praticamente um monopólio de mercado, incrementar essas novas linhas de receita é um custo marginal, enquanto possíveis novos players teriam que desenvolver toda a tecnologia que a B3 tem.”

Já para emissores e investidores, a nova bolsa poderia trazer a vantagens de um mercado mais competitivo. “Acho que a chegada de um concorrente poderia reduzir um pouco de custo para as empresas que querem fazer a abertura de capital”, afirma Harada, do Blackbird. “Taxas menores também podem beneficiar investidores”, finaliza.



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