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Mercado começa a precificar riscos mais elevados após troca no comando da Petrobras
Magda Chambriard vai substituir Jean Prates, que deixou o cargo de CEO depois de divergências com o governo
Petrobras, Mercado começa a precificar riscos mais elevados após troca no comando da Petrobras, Capital Aberto

Após mais uma mudança brusca no comando da Petrobras, o mercado se volta agora para as possíveis consequências financeiras e operacionais deste ato. Não é novidade que a estatal está suscetível a esse tipo de situação, uma vez que, controlada pelo governo, os interesses políticos normalmente se sobressaem aos interesses dos acionistas, na maioria das vezes.

Com uma visão mais ‘pró-mercado’, Jean Paul Prates, que deixou o cargo de CEO no último dia 14 de maio, sofreu uma fritura nos últimos meses, principalmente após divergir do governo sobre o pagamento de dividendos extraordinários no valor de R$ 49,3 bilhões que ficou retido numa conta reserva, mas que depois foi distribuído a metade do valor como dividendo extraordinário. Neste caso, o governo queria a retenção total do recurso.


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No mesmo dia, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a indicação de Magda Chambriard como CEO, uma velha conhecida, que já trabalhou por 20 anos na Petrobras, além de ter sido presidente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) durante o mandato de Dilma Rousseff.

A indicação, no entanto, terá que passar pela aprovação de instâncias de governança da Petrobras, como o conselho de administração. A sensação, na avaliação do mercado, é que foi escolhida para o cargo uma pessoa com visão mais ‘nacionalista’. Por enquanto, a estatal nomeou, de forma interina, Clarice Coppeti para CEO, até que a avalição do nome de Magda passe pelo crivo burocrático.

Diante disso, a dúvida que paira sobre investidores e o próprio mercado é de como se dará a postura da Petrobras daqui para frente, principalmente em assuntos como investimentos, dividendos, plano de negócios e desempenho operacional.

“A mudança repentina na gestão adiciona significativa incerteza ao caso de investimento da Petrobras e, consequentemente, aumenta o seu risco. Esse contexto (descontentamento político) provavelmente levantará preocupações dos investidores minoritários sobre o possível risco de interferência do acionista majoritário (governo) na gestão da empresa”, explica a analista de Óleo, Gás e Petroquímicos da XP, Helena Kelm, em relatório.

Segundo ela, os investidores estão particularmente preocupados com conflitos de interesse, embora não espere mudanças significativas nos dividendos e planos de capex no curto prazo. “(Mas) reconhecemos que a incerteza aumenta consideravelmente a percepção de risco”.

Na visão do BTG Pactual, desde a implementação da Lei das Estatais, em 2016, a Petrobras passou por vários CEOs e enfrentou um escrutínio considerável sobre a sua estratégia de preços de combustíveis e alocação de capital, mas que, na prática, houve poucos resultados tangíveis que levaram a uma revisão significativa das previsões de geração de fluxo de caixa.

Petrobras, Mercado começa a precificar riscos mais elevados após troca no comando da Petrobras, Capital Aberto

“Na verdade, fomos positivamente surpreendidos pelo pragmatismo de todas as administrações. Acreditamos que esse pragmatismo permanecerá em vigor, impulsionado pelo governo federal de uma necessidade de gerir as contas fiscais e de rigorosas regras de governança e métricas de rentabilidade necessárias para a aprovação de investimentos inorgânicos”, explicam os analistas Pedro Soares, Thiago Duarte e Henrique Pérez.

Para o analista da Guide Investimentos, Mateus Haag, o impacto inicial é que Prates tinha conquistado a confiança do mercado durante o seu mandato, embora várias das mudanças na companhia, como precificação dos combustíveis, diminuição dos dividendos e a flexibilização do estatuto tivessem ido contra a geração de valor para os acionistas, a companhia seguia com forte desempenho operacional e boas práticas.

“Aparentemente, o presidente da república, o Ministro de Minas e Energia e da Casa Cível não gostaram da sua atuação na estatal. Consequentemente, eles o trocaram pela Magda Chambriard que provavelmente atenderá melhor seus interesses. Visto que poderia ser indicado alguém sem experiência no setor e com viés somente político, julgamos Magda como adequada para o cargo”, afirma Haag.

O impacto nas ações

Como sempre acontece em situações como essa, as ações preferenciais e ordinárias da Petrobras tendem a ser castigadas nos dias seguintes a este tipo de evento e tendem a levar certa volatilidade ao Ibovespa, já que os papéis da estatal respondem por quase 15% do volume do principal índice da B3.

Só para se ter uma ideia, em 1° de junho de 2018, época do governo de Michel Temer, quando o então presidente Pedro Parente pediu demissão do cargo, a ação preferencial da estatal, que tem maior liquidez, caiu quase 15%, a R$ 5,17, de acordo com levantamento exclusivo feito pelo TradeMap à Capital Aberto.

Petrobras, Mercado começa a precificar riscos mais elevados após troca no comando da Petrobras, Capital Aberto

Três anos mais tarde, em 19 de fevereiro de 2021, já no governo de Jair Bolsonaro, Roberto Castello Branco foi demitido do cargo, também por divergências políticas. Há época, o papel preferencial teve queda de 6,63%, a R$ 9,39.

Um ano depois, em 28 de março de 2022, foi a vez de Joaquim Silva e Luna deixar o cargo de CEO da Petrobras, com a ação reagindo mal e caindo mais de 2%, a R$ 13,36. Dois meses depois, em 20 de junho daquele ano, José Mauro Coelho pediu demissão por conta da pressão. Na ocasião, entretanto, o papel preferencial subiu 1,14%, a R$ 14,23.

No fechamento de terça-feira (14), quando da saída de Prates do cargo, a ação preferencial caiu 6,04% e a ordinária 6,78%, respectivamente, a R$ 38,40 e R$ 40,02, perdendo um valor de mercado de R$ 34 bilhões em relação ao dia anterior, atingindo R$ 509 bilhões. Essa perda de valor equivale ao valor de mercado da Hapvida, segundo a Elos Ayta Consultoria. No acumulado do ano, o papel preferencial tem uma valorização de 10,58% e a ação ordinária de 9,72%.

Apesar de reconhecerem o aumento da volatilidade no preço das ações da estatal, os analistas consultados pela Capital Aberto mantêm a recomendação de compra para a Petrobras, por acreditarem que a companhia não deve fazer movimentos bruscos sobre nenhum tema sensível aos seus negócios.

Petrobras, Mercado começa a precificar riscos mais elevados após troca no comando da Petrobras, Capital Aberto

Em relatório, o BTG ressaltou que continua acreditando que a empresa continuará com novas fusões e aquisições e que deve adotar estratégias para reduzir a volatilidade dos preços dos combustíveis. “Contudo, temos poucas evidências até agora que sugerem que estas medidas ameaçarão dividendos de dois dígitos em 2024 e 2025”.

Por outro lado, a Guide explica que prováveis alterações na estratégia da estatal serão chave para uma mudança ou não de recomendação. Em relação aos dividendos, tão discutido e aguardado pelos investidores, Haag não acredita em mais distribuição de dividendos extraordinários, assim como o plano estratégico não deve contemplar mais investimentos e a política de precificação de combustíveis deve ser mantida.

“As ações da Petrobras devem ter forte reação negativa e devem seguir os próximos dias com alta volatilidade”, finaliza.


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