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Fundos conseguem a exclusão de dois sócios da Kora Saúde da AGE que propõe tirar a empresa do Novo Mercado
Decisão da B3 considerou os dois acionistas, que detém metade do free float da companhia, vinculados ao controlador e determinou o não cômputo dos votos na assembleia
Kora Saúde, Fundos conseguem a exclusão de dois sócios da Kora Saúde da AGE que propõe tirar a empresa do Novo Mercado, Capital Aberto

Um grupo de fundos de investimentos insatisfeito com o modelo proposto de votação e de pagamento pelas ações da Kora Saúde em uma Oferta Pública de Aquisição de Ações (OPA), caso aprovada a saída da companhia do Novo Mercado, conseguiu uma vitória na B3. A Assembleia estava marcada para esta quarta-feira (05) e contaria com o voto dos sócios Bruno Moulin Machado e Ivan Lima que, juntos, detém metade do free float da companhia, grupo que tem direito a voto na AGE.

A B3, em resposta ao questionamento dos fundos sobre o modelo de votação, soltou um ofício reconhecendo a demanda. Fato relevante da Kora Saúde informa que recebeu da B3, em três de junho, o ofício 227/2024 pela qual a B3 manifestou o entendimento de que os srs Bruno Moulin Machado e Ivan Lima são pessoas vinculadas aos acionistas controladores da Kora Saúde para fins de deliberação de dispensa de oferta de aquisição de ações para saída do Novo Mercado.

No ofício, a B3 determina que a AGE a ser realizada no dia 5 de junho, “seja instalada e a deliberação sobre a dispensa da OPA para saída do Novo Mercado ocorra sem o cômputo da participação dos srs Bruno e Ivan”. A Kora Saúde, controlada pelo fundo HIG Capital, informa no fato relevante que a companhia, junto a seus assessores legais, está “analisando a decisão manifestada no ofício e apresentará esclarecimentos a B3”. E acrescenta que “não obstante, a companhia informa que, em vista do entendimento da B3, a AGE não será instalada em primeira convocação, uma vez que acionistas representando apenas 35,36% das ações em circulação da Kora Saúde se cadastraram para participação não tendo sido, portanto, alcançado o quórum previsto no paragrafo 1º do artigo 33 do regulamento do Novo Mercado”.

A Capital Aberto procurou os fundos após a decisão da B3, mas gestores não quiseram se manifestar. Além questionarem o voto orientado dos dois sócios, que garantiriam na visão dos fundos a aprovação da saída do Novo Mercado, o preço máximo proposto para pagamento das ações de até R$ 0,87, em uma futura OPA, também incomodava o grupo de minoritários.


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Pelas regras, votam na AGE todos os acionistas que estão no bloco free float, que na Kora representa 20,3% do capital da empresa de saúde. Entre os fundos que questionavam a votação de Machado e Lima, estão Leblon, Iridium, Polo Capital, Fourth Sail e Ace Capital que juntos têm perto de 4% do free float.

Da votação da saída da Kora Saúde do Novo Mercado decorriam outras consequências que desagradam os minoritários. Conforme consta do documento ‘Proposta da Administração’, a ideia é pagar, na OPA, se houver, no máximo R$ 0,87 por ação para quem estiver insatisfeito e optar pela saída da companhia. “Define o preço máximo, mas não define o mínimo, o que não nos parece adequado. Nos resta aceitar o valor que quiserem pagar na OPA ou esperar e depois se decidirem sair da bolsa ter um prejuízo maior porque teremos que vender de qualquer forma. Os fundos de ações não podem ficar alocados em uma empresa de capital fechado”, explicou o gestor antes da decisão da B3 ser proferida.

No documento disponibilizado na página de RI da Kora há também a informação de que os Fundos (Private Equity) “ja contrataram empresa especializada para elaboração do laudo de avaliação das ações da Companhia nos termos do §4º do art. 4º da Lei nº 6.404/76, o qual está em fase de conclusão e será apresentado à CVM no contexto do processo de registro da OPA, caso a saída do Novo Mercado seja aprovada”. Se na votação da AGE for aprovada a saída do nível mais alto de governança da B3, a HIG tem até 30 dias para apresentar à CVM pedido de OPA e a  conversão do registro de companhia aberta categoria “A” da Kora para categoria “B”.

Como justificativa para a proposta, o controlador HIG Capital que investe na companhia por meio do fundo Fuji Brasil Partners, lembra no documento as dificuldades do setor, agravadas na pandemia, e afirma que  “em momentos tais, é de extrema relevância que a Companhia não se veja restrita ou impedida, por qualquer razão, de explorar as mais variadas medidas para a equalização de sua estrutura de capital”. Na sequência, reconhece  “inegáveis aspectos positivos” de estar no Novo Mercado, mas pondera que isto “restringe algumas das alternativas disponíveis para o financiamento e a expansão das suas atividades, incluindo, por exemplo, a possibilidade de captação de recursos por meio da emissão o de ações preferenciais e a realização de operações de combinação de negócios com empresas nacionais e estrangeiras que atualmente não integram o Novo Mercado”.

O gestor de um dos fundos, também sob a condição de anonimato, afirmou que “querem tirar do Novo Mercado, mas não oferecem nenhuma contrapartida”. “Eu não desejo uma contrapartida financeira, eu desejo uma contrapartida no sentido de entender a operação. Nada disso eu tenho na mão. É um plano sem nada, não é concreto. Essa operação está toda viciada, é o verdadeiro abuso do poder de controle.”


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