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Juro americano segura Ibovespa, mas analistas seguem otimistas
Bolsa anda de lado, mas projeções de um ano bom para a renda variável seguem intactas com Selic em queda, PIB em alta e fiscal melhor
Isabel Lemos, gestora de Renda Variável do Fator
Isabel Lemos, gestora de Renda Variável do Fator

O tímido desempenho da bolsa brasileira em 2024 está bem distante das projeções da virada do ano, que indicavam uma maior atratividade da renda variável, fruto do afrouxamento da política monetária, valorização das ações e retorno dos IPOs na bolsa. A realidade é um mercado andando de lado, com recuo de 2,47% até sexta (23), sem companhias fazendo estreias no pregão e com perda relevante de recursos de estrangeiros. No acumulado do ano, até dia 20, saíram da B3 US$ 16,90 bilhões. Na cesta de explicações para o começo de ano difícil na renda variável há fatores macro e micro, como a desaceleração da China, incertezas sobre o juro americano, o maior interesse por ações de tecnologia, importantes em outros mercados, e algumas decepções, como os resultados de Bradesco e Vale.   

A visão de que os fatores que explicam o freio de mão puxado da B3 são pontuais e respondem, em primeiro plano, à dificuldade de prever o timing do corte dos juros americanos, sustenta o otimismo dos analistas para o restante do ano. “Um recuo do Ibovespa na casa de 2% não é tão significativo. Há fatores a serem monitorados, mas o desempenho até aqui não justifica falar em quebra de expectativa”, comenta Isabel Lemos, gestora de Renda Variável do Fator. Fernando Siqueira, head de Research da Guide Investimentos, tem visão semelhante. “Não houve mudança no cenário doméstico ou nas previsões. O que alterou foi a expectativa de que o juro americano caísse mais cedo, o que não vai ocorrer e afeta o desempenho dos ativos no curto prazo.”

Dados divergentes sobre o comportamento da inflação americana preocupam o Fed e têm feito analistas adiarem as previsões de corte na taxa, hoje entre 5,25% e 5,50% ao ano. “A projeção de que o juro no país vai cair permanece, o que mudou foi o timing. O problema é que as pessoas estão olhando o curtíssimo prazo, que tem volatilidade na medida em que todos acompanham dados de inflação, do mercado de trabalho e que nem sempre apontam na mesma direção afetando as expectativas”, comenta Isabel.


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Enquanto o Ibovespa anda de lado, as bolsas americanas seguem no positivo. O S&P 500 vem renovando recordes e já acumula alta de 7,29%; Dow Jones tem ganhos de 3,76% e Nasdaq avança 1,30%. A temporada de balanço nos Estados Unidos trouxe surpresas positivas, principalmente com as BIGs Techs como Apple, Amazon, Alphabet (Google) e Meta. Parte da saída de recursos dos investidores estrangeiros da bolsa brasileira está ligada a oportunidades de alocação na renda variável em outras juridições.

“A temporada de balanços nos Estados Unidos foi muito boa e investidores migraram para ações de tecnologia negociadas em outros mercados, o que explica em parte o descasamento no desempenho do Ibovespa com o de outras bolsas. Aqui, o resultado das empresas não evoluiu tanto, o que também pesa no indicador”, comenta Siqueira, citando em particular Vale e Bradesco. No ano, Vale acumula queda de 12,55% e Bradesco recuo de 17,49%. “São papéis importantes na composição do Ibovespa, mas eles sozinhos não explicam a dificuldade de o índice andar.” Enquanto o Ibovespa recuou 4.425 pontos, a Vale caiu 2.236 pontos (até 22), ou seja, mesmo se excluído o desempenho da mineradora, a bolsa estaria no vermelho.

No ambiente doméstico, a perspectiva de uma Selic terminal abaixo de dois dígitos segue intacta, o que deve favorecer o desempenho da renda variável no restante do ano. Na visão dos analistas da Fator e da Guide, a bolsa segue barata, com boas oportunidades. “Claro que precisamos olhar empresa a empresa, setor a setor, mas no geral tem muitas empresas subavaliadas. Nosso viés é bastante construtivo para algumas empresas, principalmente as voltadas para mid e small caps”, comenta Isabel, do Fator. “Quando houver mais clareza do juro americano e as taxas começarem a cair, os recursos dos estrangeiros vão voltar e a bolsa tende a melhorar o desempenho”, afirma Siqueira.

O cenário ainda positivo para a renda variável no Brasil para o restante de 2024 também se sustenta pela melhora fiscal e projeções de um PIB mais robusto. A gestora de Renda Variável do Fator lembra que dados da arrecadação federal vieram melhores do que o esperado e que o crescimento econômico tende a ser melhor. “Quando você junta tudo, a perspectiva de juros doméstico caindo, o fiscal e arrecadação avançando, e um PIB melhor, a tendência é que a renda variável responda positivamente”, comenta Isabel, acrescentando que a assimetria no preço das ações também é importante e sinalizam um mercado “muito atrativo”.


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