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Como ficaria o mercado com a possível saída da AES do Brasil? Analistas respondem 
Nos últimos três anos, as ações da companhia na B3 despencaram 30%
AES, Como ficaria o mercado com a possível saída da AES do Brasil? Analistas respondem , Capital Aberto

Desde domingo, a notícia, antes comentada nos bastidores, corre solta no mercado de energia: a AES Brasil estaria de saída do país. A informação, não confirmada (e nem negada) pela empresa, é do jornalista de O Globo, Lauro Jardim. Segundo sua coluna, a companhia já contratou os bancos Itaú e Goldman Sachs para vender seus ativos em geração de energia elétrica – entre eles, hidrelétricas e usinas solares em São Paulo e complexos eólicos no Nordeste e Rio Grande do Sul. A empresa está no País desde 1997, quando chegou atraída pela onda de privatização do setor no governo FHC. Mas ultimamente vem trazendo maus resultados aos acionistas. Nos últimos três anos, suas ações na B3 despencaram 30%.

“Tivemos alguns percalços no setor, como crise hídrica e preços baixos, mas, mesmo na comparação com outras companhias do segmento, a AES deixou a desejar”, diz Ruy Hungria, analista da Empiricus Research. “Talvez o controlador americano prefira usar recursos provenientes dos ativos vendidos no Brasil para reduzir sua dívida lá fora ou investir em uma região onde consiga gerar mais valor”, complementa. No ano passado, o endividamento de longo prazo da AES Corp, detentora de 47% da AES Brasil, era de U$ 23,6 bilhões – aumento de 17% em relação a 2022.

Em nota distribuída à imprensa, a empresa admite a busca de formas de turbinar o caixa. “A AES Brasil esclarece que, como já comunicado anteriormente, foi informada por sua controladora, AES Corp, que esta avalia alternativas para financiar o crescimento da Companhia e melhorar sua estrutura de capital.”

AES, Como ficaria o mercado com a possível saída da AES do Brasil? Analistas respondem , Capital Aberto

A venda de ativos para redução de dívidas não é novidade no mercado. “Desinvestimento para reduzir a alavancagem é estratégia recorrente no mercado”, diz Anderson Dutra, sócio-líder de ENR e Oil & Gas da KPMG no Brasil. “Foi, por exemplo, o que a Petrobras fez com a venda de ativos de gasodutos e de uma série de campos off-shore”, afirma.

Caso a companhia saia mesmo do país, existem muitos desfechos possíveis. “É possível, por exemplo, vender diferentes ativos para diferentes compradores ou vender tudo para uma empresa, e todos esses cenários podem acarretar diferentes destinos para a empresa”, afirma Hungria. “A AES poderia fechar o capital ou ser comprada e virar outra empresa”. Há também casos de companhias que continuam na bolsa com os novos proprietários. “Quando a Petrobras comprou os ativos da Perez Companc na Argentina, a empresa continuou listada por muito tempo.


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Para Dutra, se confirmada a notícias, os candidatos mais prováveis à compra são empresas que já atuam no segmento de geração ou de infraestrutura no Brasil. “Mas podemos ter surpresas”, pondera. Na opinião de André Fonseca, diretor da consultoria especializada no mercado de energia Thymos Capital, se a AES deixar mesmo o Brasil, empresas europeias e chinesas poderão ter interesse no negócio. “Muitas vezes, para entrar no país, é melhor comprar algo pronto”, diz. “Aí a empresa já vem toda estruturada e o comprador usa aquela plataforma para crescer.”

AES, Como ficaria o mercado com a possível saída da AES do Brasil? Analistas respondem , Capital Aberto

Oportunidades e desafios

Mas desafios não faltam a eventuais compradores. “Neste momento, o grande problema do segmento renovável é a sobreoferta de energia, que pressionou os preços e os retornos”, afirma Hungria.  Fonseca pensa parecido: “São projetos com retorno não muito alto e, com preço de energia mais baixo, esse retorno diminui um pouco”. 

Ele também ressalta que as empresas do setor têm contratos longos, de dez ou vinte anos, corrigidos pelo IPCA, o que dificulta a recomposição dos preços acordados em momentos de alta na energia no mercado. “É um ambiente competitivo, com as empresas no limite do retorno mínimo”, avalia.

Para Dutra, incertezas nas políticas públicas para o setor de energia renovável também pesam. “Todo um modelo de negócio pode ser feito considerando uma série de incentivos [do governo] que podem mudar de repente e obrigar a empresa a reformular tudo”, diz ele.

Ainda assim, ele avalia que o país é atraente para investidores estrangeiros. “Quando a gente compara o ativo renovável no Brasil com o resto do mundo, temos uma vantagem competitiva enorme”, diz. “A incidência de raio solar em grande parte de territórios brasileiros, comparada a outros lugares do mundo, é muito superior. E os ventos em determinadas regiões do Nordeste são excelentes, acima de 9 nós de forma permanente.” 

Entre as vantagens, ele também menciona a existência de reservatórios minerais com matéria-prima para produção de baterias, essenciais para o desenvolvimento das fontes renováveis. Fonseca acrescenta outros atrativos: “Como temos escala muito grande, conseguimos fazer projetos aqui muito grandes. Isso, combinado com a segurança regulatória do setor, é bem-visto pelos investidores estrangeiros”.


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