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BB e Itaú têm empate técnico no ranking de lucratividade 
BTG supera Santander pela primeira vez no quarto lugar entre os cinco maiores
BB, BB e Itaú têm empate técnico no ranking de lucratividade , Capital Aberto

O balanço do Banco do Brasil divulgado nesta quinta-feira (09) pôs a instituição no segundo lugar do ranking de lucratividade de 2023 dos bancos brasileiros listados na bolsa. Com lucro líquido de R$ 33,16 bilhões no ano passado – crescimento de 11% em relação a 2022 – , fica atrás apenas do Itaú, com R$ 33,8 bilhões e aumento de 10,2%. Em terceiro lugar, o Bradesco registra um lucro de R$ 14,5 bilhões, com queda acentuada de 31,6% em relação a 2022. Já o BTG superou o Santander pela primeira vez na quarta posição, com um lucro de R$ 9,9 bilhões e o maior crescimento entre os cinco bancos, 26,6% em 2023. No total, essas instituições acumularam um lucro líquido de R$ 100 bilhões no ano passado, uma queda de 3,5% em relação a 2022, quando alcançaram R$ 103,9 bilhões. Os dados são da Elos Ayta Consultoria.

Contra a maré, o BB registrou lucro líquido ajustado recorde de R$ 35,6 bilhões em 2023, com RSPL (retorno sobre patrimônio líquido) de 21,6% e um crescimento de 11,4% em relação a 2022. O valor adicionado à sociedade alcançou R$ 86,1 bilhões em 2023. No terceiro trimestre do ano passado, o lucro líquido ajustado ficou em R$ 8,79 bilhões – alta de 4,5% ante o mesmo período do ano anterior. O resultado ficou acima das expectativas do mercado. Previsões compiladas pela LSEG Data & Analytics apontavam lucro líquido de R$ 9,12 bilhões.


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Analistas divergem sobre o impacto dos resultados nos papéis dos bancos na bolsa. “Suas ações vêm num espiral bem positivo, com dois anos de crescimento”, diz Rafael Antunes, sócio da Inove Investimentos. “O ano de 2023 veio com uma alta forte (80,60%) e 2024 começa com uma performance positiva.” 

Até a divulgação do balanço, na quinta-feira (08) após o fechamento da bolsa, a alta acumulada no ano era de 6,90%. Nesta sexta-feira, o papel do BB caía 1,01%, a R$ 57,95 às 14h20 horas. Antunes não descarta oscilações: “Diante de uma alta de curto prazo tão expressiva, qualquer noticiazinha pode fazer uma realização nos papéis da empresa, mas isso não significa mudança de tendência”.

“Os resultados foram animadores, principalmente quando se olha a alta na carteira de crédito do banco, de 10%”, diz ele“. A rentabilidade da carteira também aumentou e veio forte”, completa, destacando a alta de 20 % no ano nas receitas sobre juro. Ele também ressalta que o BB apresentou o maior retorno entre os bancos incumbentes, com ROI de 22 %.

“O crescimento da carteira de crédito de 4% na visão trimestral, puxado pelo agro, que avançou 4 ,5%, foi um destaque positivo, Eu não esperava um crescimento tão forte na carteira agro”, acrescenta a analista da Empiricus Larissa Qauresma. Apesar disso, ela não é tão otimista em relação ao rumo das ações na B3. “O valuation muito barato não nos permite recomendar uma venda, mas também a gente não tem uma visão positiva”, diz. “Não recomendamos uma compra porque pode ser que haja uma certa deterioração gradual, não radical, não repentina dos resultados ao longo de 2024 e nos próximos anos também, por conta do risco de interferência política”.

O balanço também teve ajuda do resultado do Banco Patagonia, controlado pelo BB na Argentina, que lucrou com a variação cambial sobre os títulos atrelados ao dólar, em um período de maxidesvalorização do peso argentino. Para Quaresma, os números, apesar de positivos, não merecem comemoração. “O resultado teve uma composição muito ruim, porque esse tipo de lucro cambial não é muito confiável, por ser extremamente volátil. Em um trimestre ele pode dar um resultado muito bom, como foi o caso nesse quarto trimestre, e em outro ele pode ser muito ruim”, afirma.

“Um outro ponto negativo foi a inadimplência que subiu não só na carteira agro, como eu esperava, mas também na carteira de atacado, de grandes empresas. O índice de empréstimos atrasados a mais de 90 dias teve uma alta de 11 pontos base”, afirma.

Em relação à inadimplência, Antunes menciona alguns defaults corporativos, como o caso da Light e das Americanas. “Pesou um pouco no programa de demissão voluntária do banco no início do ano, mas tirando isso não teve nada de extraordinário”, afirma. “O banco apresentou um índice de inadimplência em linha com o setor.”

Quais são os riscos?

Sobre riscos, o analista concorda com Quaresma em relação à possibilidade de intervenções governamentais afetarem os lucros.“ O mercado está preocupado com eventuais pressões de governo para aumentar financiamento de linhas com maior risco ali de crédito, que pode deteriorar esses dados do banco.” 

Ele também alerta sobre o eventual impacto de possíveis reduções nas cotações de commodities agrícolas já que cerca de 40% da carteira do banco vem do agronegócio. “Como 14% do crescimento da carteira de crédito e de rentabilidade veio da parte rural, então qualquer dado de menor ímpeto dessa linha pode fazer com que os analistas especifiquem ali ou um crescimento menor à frente ou até uma redução de receita de uma linha tão importante.”

Decepção no Bradesco 

Na contramão do balanço do BB, os últimos resultados do Bradesco desapontaram  o mercado e derrubaram as ações do banco na bolsa. No dia da divulgação, na quarta-feira (07), as ações caíram 15,90%, para R$ 13,96. Hoje (09) estavam negociadas a  R$ 13,33 – queda de 15,87% em relação à véspera da divulgação dos resultados.

O banco teve lucro líquido de R$ 2,88 bilhões no quarto trimestre de 2023. É uma queda de 37,7% em relação ao terceiro trimestre. Apesar da alta de 80,4% no trimestre ante o período de 2022, o faturamento do ano passado, de R$ 16,3 bilhões, ficou 21,3% abaixo da cifra de 2022. 

Segundo relatório do Citi, o lucro ficou  algo entre 38% e 41% abaixo das estimativas. O resultado “foi impactado por maiores provisões e despesas operacionais, enquanto o NII (Net Investment Income) continua caindo”, enfatiza o banco. 

Para o Banco do Brasil (BB), o quarto trimestre do Bradesco foi uma “extensão de muitas tendências negativas”. O BB ressalta que a inadimplência caiu, mas a redução foi ofuscada por maus resultados nas “engrenagens” do banco. Entre os destaques negativos, o relatório do banco destaca a queda de 2,6% em relação ao trimestre anterior e de 11% em 2023 na comparação com 2022.  O BB também chama atenção para a redução da carteira de crédito, de 0,1% no trimestre e de 4,4% no ano, em “divergência da indústria”. 

O BBA também avaliou o balanço do Bradesco e destacou “fatores extraordinários” que prejudicaram o resultado. Em relação ao crédito, o BBA cita o reconhecimento de R$ 1,4 bilhão de Provisão para Devedores Duvidosos (PPP) por conta de dois casos específicos no atacado. Também destaca que R$ 500 milhões foram alocados como provisões para a reestruturação – quantia considerada “um remédio amargo” no relatório após o BBA “contabilizar todos os itens que vêm prejudicando o resultado sequencialmente”. 

Na mesma linha, o Citi disse que a melhoria da lucratividade do Bradesco tem um longo caminho a percorrer. “Acreditamos que toda a atenção estará no novo plano estratégico e nas indicações das alavancas para a melhoria futura do ROE. No entanto, acreditamos que a falta de melhorias a curto prazo deve impedir qualquer desempenho melhor das ações”.


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