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Convergência – grandes temas e efeitos secundários
No lugar de uma separação setorial por indústria, sugiro uma reflexão focada em grandes temas. E no lugar de uma análise competitiva tradicional, proponho investigarmos a cadeia de valor
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Prezado leitor, nomes são importantes. Eles carregam uma identidade, um significado implícito que talvez não precise ser explicado porque ele está intuitivamente conectado com a nossa vivência. Imagine que provavelmente nunca houve uma discussão formal para definir o que é a Nuvem na maioria das organizações, mas o conceito está tão presente no dia a dia que o entendimento é intuitivo, baseado em experiência. Vemos o mesmo fenômeno em nossas casas, com os familiares mais jovens operando e sincronizando as Nuvens de seus anciões sem nenhuma necessidade de uma definição formal. A Nuvem (o Cloud) carrega sua própria identidade.

Nas empresas, há algum tempo que observamos a convergência de temas e indústrias, e uma transformação do conceito de foco e especialização. Marcas fazendo D2C* e se tornando varejistas, varejistas fazendo Cloud, e-Commerce virando fintech, plataformas de streaming fazendo jogos, jogos virando redes sociais, empresas de tecnologia fazendo chips, empresas de chips fazendo software, empresas de bateria fazendo carro, empresas de carro fazendo robôs…os exemplos são muitos.

Então gostaria de propor um nome, para embasar nosso diálogo no artigo desse trimestre: convergência. Talvez outro nome fosse mais representativo e provavelmente outros já definiram o conceito de uma maneira melhor, mas o importante é tentar convencê-lo de que as indústrias estão convergindo em alguns grandes temas, e que é mais fácil entendê-los se abandonarmos a visão de uma economia separada por indústrias especializadas interagindo em relações tradicionais de cliente, fornecedor e competidor.

No lugar de uma separação setorial por indústria, sugiro uma reflexão focada em grandes temas. E no lugar de uma análise competitiva tradicional, proponho investigarmos a cadeia de valor. Veja o caso dos chips customizados: Apple desenha seus SoC (system on a chip) desde o lançamento do iPad (2010) e abandonou completamente a Intel nos Macs em 2023; a Tesla, um automarker, criou sua própria arquitetura com o chip D1 para construir seu supercomputador Dojo, inaugurado em 2023; o Google criou a TPU (tensor processing unit) em 2015 para suportar fluxos de machine learning que suportam serviços como o Search; a AMD aposta em trazer processamento de redes neurais para o computador pessoal, ganhando performance e desafogando o Cloud, com um novo tipo de processador que a indústria batizou de NPU (neural processing unit). Hoje, essa narrativa é contada sob a ótica da IA (inteligência artificial) e a necessidade de adaptar o hardware para um tipo de processamento diferente, mas tudo começou antes do nome IA se popularizar. O fenômeno é parecido, mas o nome emprestou uma identidade.

Para encantar o cliente com novos features todo ano e buscar uma diferenciação, virou passado a relação tradicional de cliente-fornecedor em que se compravam produtos de prateleira para se construir um produto. Por causa desse fenômeno a cadeia de valor da indústria se modificou completamente: as empresas fabricantes de chips sob demanda e customizados roubaram espaço de empresas como Intel e já representam quase metade da indústria (em receita) e dominam as tecnologias mais avançadas (ex: TSMC e Samsung); empresas como AMD se livraram da operação fabril (spin-off da Global Foundries) em favor de produzir com terceiros; conseguiram se reinventar e conquistar market share em Cloud e GPU para jogos; arquiteturas dominantes foram abandonadas em favor de outras menos velozes porém mais energeticamente eficientes (ARM vale US$ 130bn na bolsa); e placas de vídeo (GPUs) extrapolaram sua função inicial na indústria de jogos e vídeo para suportar processamentos específicos em data centers. Olhando para o futuro, é possível que estejamos no início da mudança ainda, pois o computador pessoal ainda é dominado pela Intel e o data center ainda emprega majoritariamente CPUs.

Num tema muito diferente, a indústria de entretenimento cruza barreiras numa velocidade impressionante. Streaming segue conquistando mercado sobre a TV linear, disruptando meio de distribuição do conteúdo. Grandes séries viraram produções de cinema em 8 episódios; jogos e livros viraram grandes franquias de TV e cinema, e produtoras de conteúdo como Netflix investem em serem produtoras de jogos. Alguns jogos têm um componente social muito forte (Roblox e Animal Crossing por ex.) e não deixam de ser uma pequena rede social; realidade virtual ainda não demonstrou seu potencial, mas já se fala em re-orientar os headsets para produtividade (seriam face computers agora).

No SXSW (South by Southwest) semana passada vimos Dara Khosrovwshahi (CEO da Uber) discutindo mobilidade compartilhada, eletrificação e carros autônomos com ex-senador e prefeito de Austin Kirk Watson. Conectando essa tríade, o CEO fala em competir com a Amazon na construção de uma malha logística de última milha para o varejo, porque a plataforma está em 70 países com mais de 5 milhões de veículos e motoristas.

A ironia de falarmos em convergência é que, à primeira vista, as empresas parecem divergir de seu negócio principal para diversificar em outras empreitadas. Mas diria que a lógica é muito mais orgânica e o resultado repleto de efeitos secundários. Gostaria que mais exemplos coubessem em nosso artigo, mas fico contente em poder apresentar ao leitor uma ótica alternativa sobre os acontecimentos recentes.


Leia também: Novos modelos de negócio desafiam reguladores, investidores e nosso entendimento


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