Fusões e aquisições

Deloitte | Audit & Assurance / Edição 31 / 19 de maio de 2016
Por     /    Versão para impressão Versão para impressão

As turbulências políticas e econômicas que o Brasil passou a vivenciar recentemente influenciam a percepção de risco dos investidores e criam um ambiente peculiar para as fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês para mergers and acquisitions). Nos momentos de crise, podemos notar que as empresas que dão um passo à frente ao fazer uma aquisição ou um desinvestimento seletivo destacam-se da concorrência e consolidam sua posição no mercado. No entanto, é também nesse contexto que as operações envolvem desafios adicionais — os compradores devem redobrar os cuidados na avaliação dos ativos e os vendedores precisam descobrir de que tipo de atividade podem abrir mão para reforçar a situação financeira sem prejuízo ao negócio.

A crise — reforçada por juros altos, falta de crédito e câmbio instável — eleva o número de empresas que recorrem a processos de recuperação judicial e a quantidade de ativos à venda. “Vale observar que o câmbio está favorável a estrangeiros e fundos de private equity em busca de oportunidades de aquisição em segmentos propensos a consolidação ou que demandem capital para crescimento, aquisições ou diversificação do portfólio de atuação”, observa Reinaldo Grasson, sócio da área de Financial Advisory da Deloitte.

Para as potenciais empresas vendedoras, é essencial a criação de uma estratégia de avaliação do negócio, num processo de realinhamento de portfólio. Esse trabalho deve equilibrar três características: solidez estratégica, oferta de valor e resiliência. É recomendável que elas adotem uma abordagem holística, contem com liderança forte e também garantam uma perspectiva imparcial (nada de ideias como “negócio sagrado” ou “negócio irrelevante”). Do ponto de vista do comprador: mesmo em circunstâncias normais, a dinâmica das operações de M&A varia muito, dependendo do negócio (principalmente em termos de compradores disponíveis, prazo e processos), e ela pode ficar ainda mais complexa quando se trata de empresas em dificuldades. Atenção redobrada, portanto, é imprescindível.

A arte do negócio de M&A depende, em grande parte, da capacidade da empresa adquirente para “descascar” as camadas da empresa-alvo para saber qual é a real essência do negócio sob a superfície. “Isso é verdade em negócios saudáveis, mas é especialmente importante nos casos que envolvem empresas em crise”, observa Grasson. Daí o papel fundamental da due diligence. Questões que podem não ser motivo de grande preocupação em uma empresa saudável podem ser cruciais na avaliação de uma empresa em crise.

Além dos pontos críticos, como fluxo de caixa e questões trabalhistas, ambientais e fiscais, a due diligence na atual conjuntura precisa levar em consideração aspectos da Lei Anticorrupção e uma análise do grau de exposição da empresa e do setor em que atua às condições econômicas do País.

Uma das maiores armadilhas nas operações de M&A é a falta de realismo — assim, a capacidade de identificação de problemas e de desenvolvimento de uma visão clara do todo tende a ser o atributo mais valioso. “A falta de realismo pode destruir a longo prazo o potencial de qualquer empresa, hoje saudável ou em crise”, destaca Grasson. “Há razões para uma empresa com problemas estar nessa situação. Compradores eficientes podem trabalhar para superar essa armadilha conhecendo os setores, identificando empresas adequadas dentro desses setores que possam ser bons alvos e elaborando uma estratégia de aquisição que considere os resultados melhores, piores e moderados”, completa.

Diante do quadro atual, quem estiver preparado para otimizar o portfólio de ativos e adquirir empresas em linha com a própria estratégia de longo prazo pode obter lucros significativos no futuro. Estão, portanto, reunidas as condições para as empresas se prepararem para o próximo período de crescimento econômico.



Participe da Capital Aberto: Assine Experimente Anuncie


Tags:  fusões e aquisições Deloitte

Compartilhe: 


Encontrou algum erro? Envie um e-mail



Matéria anterior
Acionistas vão às compras
Próxima matéria
“Relate ou Explique para Relatório de Sustentabilidade ou Integrado”: um case brasileiro de sucesso




Recomendado para você




Nenhum comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.



Leia também
Acionistas vão às compras