Empresas brasileiras devem rever custos, mas esperam aumentar vendas nos próximos dois anos

Deloitte | Audit & Assurance / 13 de julho de 2016
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Os fatores macroeconômicos têm exercido forte impacto sobre as prioridades de melhora de custos e as atividades das empresas da América Latina. Com o objetivo de conhecer as estratégias que as organizações da região adotam para administrar as despesas, a Deloitte fez pela primeira vez uma pesquisa com cerca de 150 CXOs, executivos e gestores sêniores de empresas de médio e grande portes do Brasil e do México — países que, juntos, representam 63% da economia regional. A Deloitte já faz levantamento semelhante com corporações dos Estados Unidos desde 2007; a versão latino-americana terá periodicidade bienal.

O estudo “Sucesso em Meio às Incertezas, Práticas em Melhoria de Custos e Tendências na América Latina” revelou que as empresas brasileiras devem rever custos, mas, ainda assim, esperam aumentar as vendas nos próximos dois anos. Dos executivos brasileiros entrevistados, 63% projetam cortes de 10% ou mais para o próximo ano, enquanto, entre os mexicanos, esse percentual é de 69%. As corporações apresentaram crescimento de receitas nos últimos dois anos, e quase a totalidade dos representantes ouvidos está otimista — eles estimam aumento ainda maior do faturamento nos próximos 24 meses.

As circunstâncias econômicas desafiadoras intensificam o interesse das empresas na modificação da estratégia de gestão de custos, para garantia de competitividade e crescimento. A revisão das prioridades proporcionaria uma economia que poderia ser investida em inovação, pesquisa, desenvolvimento de novos produtos e expansão para novos mercados.

Para a pesquisa, a Deloitte entrevistou CXOs (CEOs, CFOs, COOs, CIOs, membros de conselhos de administração etc), controllers, tesoureiros e outros líderes de áreas. Entre as empresas consultadas, 29% das brasileiras têm receita anual superior a US$ 1 bilhão e 14% possuem, no mínimo, 30 mil funcionários. Já entre as mexicanas, o percentual das companhias com esse patamar de faturamento é de 40%, e 20% têm pelo menos 30 mil funcionários. Em ambos os países, o setor de bens de consumo industrial teve o maior número de representantes na pesquisa (52% para o Brasil e 44% para o México).

Economizar para crescer

O estudo mostrou que praticamente todas as empresas entrevistadas estão propensas a reduzir custos nos próximos dois anos — mas, ao mesmo tempo, têm metas de expansão de vendas como foco principal. A busca simultânea por essas duas prioridades aparentemente conflitantes cria o paradoxo chamado “economizar para crescer”, reflexo das incertezas a respeito de fatores macroeconômicos globais e locais sobre as perspectivas de desempenho da própria companhia no curto e no longo prazos.

Aspectos macroeconômicos internacionais, como flutuação da taxa de câmbio e dos preços das commodities, por exemplo, são considerados riscos externos relevantes para as companhias pesquisadas. No Brasil, 47% das empresas consideram “recessão e problemas macroeconômicos” como a principal ameaça a ser considerada nos próximos dois anos, enquanto 42% das mexicanas acreditam que a “flutuação da taxa de câmbio global” é o risco preponderante. A “flutuação dos preços das commodities” também preocupa executivos de ambos os países, embora tenha sido citada com mais frequência pelos mexicanos.

No caso do Brasil, associados ao cenário de recessão local, esses fatores globais exercem significativa influência sobre as estratégias de negócios e de gestão de custos. Nesse sentido, a redução de gastos tem sido estimulada por uma combinação de ações defensivas e outras medidas orientadas ao crescimento. A pesquisa mostra que 52% das empresas brasileiras vão fazer “investimento necessário em áreas de crescimento” e 51% pretendem “ganhar vantagem competitiva” com as iniciativas de redução de custos. Entre as corporações mexicanas, esses percentuais sobem para 55% e 54%, respectivamente.

O levantamento verificou que, a despeito do cenário econômico local e internacional, 69% das empresas entrevistadas no Brasil e 77% das consultadas no México reportaram crescimento de suas receitas líquidas nos últimos 24 meses. Para os próximos dois anos, 86% das empresas brasileiras entrevistadas e 88% das mexicanas acreditam num novo crescimento de faturamento.

Ao mesmo tempo, as companhias tiveram dificuldades para cumprir metas de cortes de custos: no Brasil, 64% não conseguiram atingir seus objetivos; no México, esse percentual foi de 69%.

A gestão de caixa também parece ser prioridade para os entrevistados. Por causa do alto grau de tensão econômica que as empresas latino-americanas enfrentam, é possível que muitas estejam se preocupando com todos os aspectos da gestão de caixa — de crédito a capital de giro, incluindo liquidez e questões relacionadas à taxa de câmbio. O resultado é um novo cenário de gestão de custos sintetizado pelo conceito de “sucesso em meio a incertezas”, que amplia o paradoxo custo/crescimento do “economizar para crescer” com o acréscimo do intenso foco na gestão de caixa, normalmente associado a empresas em crise.

Em tempos de incerteza econômica, as empresas com metas agressivas de redução de despesas podem se recuperar mais rapidamente e ganhar vantagens competitivas em seus mercados. O ambiente econômico desafiador tende a representar uma oportunidade única de posicionamento para o sucesso no longo prazo, especialmente no caso do Brasil, onde a atual taxa de câmbio pode ser um estímulo às exportações. Confira o estudo completo em: http://bit.ly/29T4EeM.

 

 



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