Abertura de capital envolve desafios e oportunidades

Deloitte | Audit & Assurance / 17 de setembro de 2017
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Vivemos numa época em que as empresas têm sido desafiadas a demonstrar maturidade e responsabilidade em suas atividades e nas relações que mantêm com acionistas, governos, instituições, clientes e fornecedores. Nesse sentido, é possível notar que elas se esforçam para dar as respostas mais adequadas a essas demandas.

Como sabemos, as companhias que hoje são listadas em bolsa de valores – por serem obrigadas a cumprir uma série de exigências de enquadramento e de respeito a regras, normas e preceitos – acabam sendo aquelas que mais investem na adoção de ferramentas e na constituição de instâncias de controles, governança, compliance e transparência. Até por essa razão têm à disposição canais de capitalização muito mais acessíveis e seguros que as demais empresas.

Por outro lado, mesmo diante de custos significativos e da necessidade de qualificação da gestão empresarial, organizações que ainda mantêm seu capital fechado têm trabalhado para demonstrar uma atuação equilibrada e responsável, adotando práticas como contratação de auditorias externas para avaliação das demonstrações financeiras e adoção de instâncias de controle interno, como conselhos de administração. Caso essa adequação tenda a levar as organizações à abertura de capital, a grande vantagem é que, mesmo diante dos custos envolvidos nesse processo, passarão a contar com mais oportunidades de captação de investimentos junto ao mercado.

É disso que trata o levantamento “Custos para abertura de capital no Brasil – Uma análise sobre as ofertas entre 2005 e 2017”, realizado pela Deloitte em parceria com a B3 com 198 companhias que abriram capital ou fizeram ofertas subsequentes de ações (follow-ons) entre janeiro de 2005 e abril deste ano.

Uma das principais preocupações das empresas em relação ao processo que leva à abertura de capital é justamente o custo de preparação e de realização do IPO (oferta pública inicial de ações). As companhias investiram 4,8% do valor distribuído nas ofertas iniciais realizadas nos últimos 12 anos na sua preparação para a oferta, de acordo com a mediana apurada pelo estudo da Deloitte.

Vale destacar que as organizações que se preparam há mais tempo para abrir seu capital – com um planejamento bem estruturado e a adoção, com antecedência, de estruturas de governança, controles, compliance e transparência que são exigidas das companhias abertas – tendem a reduzir e a diluir seus custos ao longo do tempo.

O levantamento mostra que a transição de uma empresa fechada para uma companhia com ações em bolsa, desde que bem planejada, é uma operação simples. A sugestão é que as organizações que tenham o IPO em sua estratégia sempre avaliem cuidadosamente os desafios, as oportunidades e os riscos envolvidos nesse processo, contando, em muitos casos, com o auxílio externo para a tomada de decisões.

No balanço entre desafios e oportunidades, as companhias que decidem abrir seu capital precisam saber que o mercado e demais instâncias passam a ter uma melhor percepção daquelas que entram para a bolsa de valores, especialmente em razão de adoção de práticas contábeis mais formais e rigorosas; sistemas de compliance, transparência, governança e gestão de riscos; melhores controles financeiros; regulação e fiscalização pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pela B3; adequação a um novo ambiente fiscal e de regulamentação; e criação de canais de comunicação transparente. Tudo isso somado tende a produzir um novo retrato da organização, que é percebido com mais atenção e respeito por toda a sociedade.


*Carlos Zanotta é sócio da área de mercado de capitais da Deloitte


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Tags:  Governança abertura de capital IPO Captação de Recursos Deloitte oferta de ações Carlos Zanotta Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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1 comentário

Sep 21, 2017

Excelente abordagem da Capital Aberto e da Deloitte.
Mas é uma pena que ainda seja analisado como sendo custo de abertura de capital alguns itens básicos da boa governança e da boa estrutura de gestão (como se a opção de ser uma “boa empresa” seja apenas escolhida no caso de abertura de capital, ou, em outras palavras, se não abrir capital pode continuar “sem ser boa” ou sem ser bem estruturada).
Se considerado o que a empresa já deveria fazer e só atribuir ao custo de abertura o que realmente estiver relacionado a abertura em si, o custo é bem menor… em torno de 3% para as chamadas “ofertas menores” e abaixo de 2% para as ofertas de grande porte (com um adicional de 50% para as ofertas da parcela internacional, nesse ultimo caso).
E o efeito disso, considerado o custo de financiamentos no Brasil, equivale a menos de 60% do custo de levantar o mesmo dinheiro em outros instrumentos financeiros, que não o mercado de ações. Um desconto de 40% em relação ao custo de levantar o mesmo dinheiro como divida, por exemplo. No momento em que as empresas se derem conta disso no Brasil, teremos o mercado de ações financiando centenas de planos de crescimento empresarial, passaremos para um patamar superior a 1000 empresas de capital aberto no pais e provavelmente o nosso índice terá qualidade e sustentação estatística para subir acima dos 150 mil pontos.
E pode vir daí o combustível que falta hoje para o nosso crescimento econômico sustentável!



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