Impacto coletivo

Coinvestimento, compartilhamento de metodologias e outras inovações que estão transformando o setor social brasileiro

B3 / 7 de abril de 2017
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Vivemos na era da economia compartilhada, que está modificando mercados, sistemas de distribuição e a relação da sociedade com bens materiais, e presenciamos grandes mudanças de paradigma. Novos modelos econômicos baseados no compartilhamento de recursos — sejam eles financeiros, materiais, habilidades ou tempo — estão transformando as empresas, e o setor social começa a acompanhar essa tendência.

Um dos exemplos recentes e notáveis de colaboração no setor social é a joint venture entre a BrazilFoundation e o Instituto BM&FBOVESPA. Por meio dessa parceria de coinvestimento, a BrazilFoundation financia o projeto durante o primeiro ano e a plataforma BVSA fica encarregada do segundo ano de apoio. O aporte conjunto em dois anos de parceria já ultrapassou R$ 3 milhões, recursos voltados a 40 projetos. Em março, foram anunciadas mais 20 organizações que receberão segundo ano de apoio por meio da plataforma BVSA.

Esse tipo de modelo de coinvestimento tem numerosas vantagens: para os projetos financiados, significa continuidade do apoio sem necessidade de inscrição em editais separados; para quem financia, representa economia de recursos no processo de seleção, no monitoramento e na avaliação; mas, sobretudo, o apoio continuado resulta em um impacto social muito maior na ponta.

Um exemplo foi o apoio ao grupo de mulheres da Associação Comunitária dos Moradores de Mandassaia, povoado no interior da Bahia. Com o investimento, foi construída e equipada uma unidade de fabricação de bolos e doces dentro de padrões da segurança sanitária. A produção saltou de 200 quilos para 1.700 quilos por mês, aumentando em 425% a renda de 20 famílias locais. O empreendimento contribuiu para fortalecer a cadeia produtiva do vilarejo e tornou-se referência na região, capacitando e incentivando pelo menos 70 mulheres de outras comunidades a gerar renda por meio da produção de alimentos. Enquanto a unidade produtiva foi construída com os recursos do primeiro ano de apoio, a instalação de equipamentos, a capacitação das famílias e a expansão de mercados foram possíveis com o segundo aporte financeiro, por meio da plataforma BVSA.

Outro caso de coinvestimento está no projeto Rede Néctar do Sertão da ADEL (Agência de Desenvolvimento Econômico Local), no Ceará. Também atuando com fortalecimento de grupos e cadeias produtivas locais, o apoio por dois anos contribuiu para a consolidação e autogestão da Rede de Meliponicultores, a capacitação de 130 agricultores, a ampliação dos fundos rotativos solidários, resultando em 100% de aumento na renda desses grupos produtivos.

Além da parceria de coinvestimento com a Bolsa, no ano passado a BrazilFoundation criou uma linha de financiamento de arranjos colaborativos, com investimento em parcerias e troca de metodologias e experiências. As organizações da sociedade civil acumulam uma enorme riqueza em inovações sociais, experiências, metodologias e relacionamento estratégico com públicos diversos. Esse conhecimento forma um capital social de grande valor, cujo compartilhamento é um elemento vital para se aprimorar os ciclos de aprendizagem das organizações e para se promover mudanças sistêmicas.

Algumas trocas focaram no fortalecimento de metodologias complementares —como a Acreditar e o Ateliê de Ideias, que compartilharam, respectivamente, suas metodologias de educação financeira e um clube de compras coletivas —, fortalecendo a ação de microempreendedores nos estados de Pernambuco e do Espírito Santo. Mais um exemplo foi a colaboração entre ECOA e IPEDI, que partilharam metodologias de capacitação de professores junto às populações tradicionais Terena e ribeirinhos do Pantanal.

Essa generosidade e essa abertura em colaborar, tanto entre as ongs quanto entre fundações e institutos financiadores, demonstram um amadurecimento e apresentam um capítulo com novas oportunidades no setor social. A colaboração reduz sobreposições, refina metodologias e gera um ambiente de aprendizado que representa oportunidade de fortalecimento institucional para todas as organizações envolvidas.

Diante da magnitude dos desafios socioambientais do Brasil neste momento, colaborar não pode mais ser a exceção: precisa ser a regra.


*Patricia Lobaccaro, presidente e CEO da BrazilFoundation


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