Derivativos como aliados das empresas

Papel desses instrumentos de proteção ganha relevância em cenários de volatilidade, principalmente cambial

B3 / 30 de agosto de 2017
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Apesar do cenário macroeconômico brasileiro atual, no qual constata-se um longo histórico de volatilidade, o mercado de derivativos ainda gera dúvidas e receios. A suposta complexidade do instrumento dificulta a compreensão de seu funcionamento e de sua importância e, por isso, ainda é grande a quantidade de empresas que não adotam estratégias preventivas de hedge cambial ou de outra natureza.

Há uma série de opções de mecanismos de gestão de risco e proteção disponíveis no mercado, porém, os derivativos podem ainda sofrer alguma discriminação no País, por causa de incidentes emblemáticos decorrentes do uso equivocado dessa ferramenta por empresas brasileiras em 2008. Em um momento em que fica cada vez mais clara a necessidade de medidas de minimização de impactos financeiros, é interessante esclarecer o devido funcionamento e todos os benefícios proporcionados pelos diferentes tipos de derivativos. Eles podem contribuir para a saúde financeira de qualquer empresa que se veja obrigada a enfrentar mudanças imprevisíveis nas relações de apreciação ou depreciação entre moedas ou outros tipos de ativos.

Antes de tudo, entretanto, é conveniente pontuar e desmistificar os possíveis usos dos derivativos no mercado financeiro. A utilização desses instrumentos pelas empresas deve sempre ser guiada pelo objetivo de proteção contra exposições ou descasamentos existentes em seus balanços (hedge) e nunca com objetivo de posicionamento — ou, em outras palavras, de maneira especulativa. É o uso não consciente e planejado de derivativos para especulação que pode levar a desequilíbrios inesperados como os observados no passado. Se usados adequadamente, são aliados fundamentais da saúde financeira das empresas.

O uso de derivativos para proteção contra variações cambiais, por exemplo, proporciona previsibilidade de custos e receitas futuras em moeda estrangeira. No caso de uma companhia que seja importadora e deseje “travar” a cotação de compra do dólar (ou de alguma outra moeda) em um valor que seja adequado para seu planejamento de caixa, ela pode firmar com uma instituição financeira um contrato chamado “termo de moeda”. Com ele, a empresa garante, em reais, o valor das despesas em dólar oriundas da importação. Para o exportador, que, ao contrário, lida com a venda de moeda estrangeira, o instrumento é útil para se determinar o valor de recebíveis em reais em um nível que para ele seja atrativo. Esse instrumento, portanto, é de fácil compreensão, e geralmente utilizado pelas empresas para gestão de exposições cambiais oriundas de transações comerciais.

Outro derivativo disponível no mercado brasileiro é o swap, que dá à empresa a possibilidade de trocar o índice ou indexador de um passivo ou ativo. No caso da existência de um financiamento em moeda estrangeira e, consequentemente, o risco de aumento do passivo em reais com a apreciação do dólar, o uso do swap permite que a empresa troque o passivo em dólares por um passivo em CDI (swap USD x CDI) ou por outro indexador mais aderente ao balanço da empresa. Normalmente, o swap é utilizado pelas empresas para proteção de empréstimos e financiamentos, ou, ainda, de emissões de bonds em moeda estrangeira.

A B3 faz o registro de uma série de derivativos de balcão disponíveis no País, de acordo com a necessidade e estratégia adotadas por cada empresa. Em 2015, o volume em “termo de moeda”, uma das modalidades mais populares, atingiu o recorde histórico de 544,4 bilhões de dólares, frente aos 488,8 bilhões de dólares apurados em 2014, referentes aos contratos desse tipo para compra e venda de dólares. Já em 2016, o total negociado foi de 396,9 bilhões de dólares. Ao final de julho de 2017, a soma do volume de operações do ano estava em 236,6 bilhões de dólares, um leve recuo em relação a igual período do ano passado, quando o montante era de 251 bilhões de dólares.

O volume de derivativos registrados no Brasil aumentou a partir do segundo semestre de 2013, em função do movimento de alta do dólar e de um ambiente de maior volatilidade, que se agravou ainda mais em 2015. Percebe-se um uso maior dos instrumentos derivativos pelas empresas nos últimos anos, bem como uma conscientização mais intensa da importância de uma política ativa de hedge por parte dos gestores. No entanto, a quantidade de companhias que fazem uso desses instrumentos ainda é relativamente pequena, o que sugere a necessidade de um aprofundamento maior no tema e da conscientização de que os derivativos são de fato um grande aliado das empresas.


*Fábio Zenaro é Superintendente de Produtos da B3


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