O poder da auditoria para atrair investidores

O trabalho preventivo valoriza a empresa-alvo e revela informações preciosas sobre seu negócio

Boletins / Private Equity / Edição 72 / 1 de agosto de 2009
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Na preparação para atrair investidores, principalmente estrangeiros, empresas nacionais podem lançar mão de diversas estratégias no sentido de melhorar seu posicionamento. Uma das ferramentas disponíveis é a auditoria. Também conhecida, nos meios empresarial e jurídico, pelo termo em inglês “due diligence”, ela é muito utilizada por investidores que estão adquirindo parte ou a totalidade de empresas (nesse caso, denominadas “empresas-alvo”) ou se associando a elas. Mas também pode – e deve – ser empregada por companhias interessadas em atrair fundos de private equity como investidores.

Se realizada com método, a auditoria preventiva pode fornecer aos tomadores de decisão das empresas-alvo informações preciosas sobre seu negócio. Isso possibilita que procedimentos sejam corrigidos, e contingências sanadas ou devidamente provisionadas. É capaz de permitir, de antemão, por exemplo, a correção do perfil do parceiro que se procura, a definição do nível de investimento necessário, ou ainda fornecer subsídios para a futura negociação do preço. Enfim, pode fazer com que a companhia se torne mais atraente aos potenciais fundos investidores, simplesmente porque o trabalho de auditoria que deverá ser feito na empresa terá sido facilitado.

Dentre os tipos existentes, a auditoria jurídica se torna importante não só para atestar a regularidade jurídica das empresas-alvo, mas também por relacionar questões dessa ordem a possíveis problemas procedimentais ou financeiros que elas possuam. É, portanto, essencial na definição de preço. Feita preventivamente, permite ao empresário sanear sua companhia e oferecer o tipo de transparência que faz brilhar os olhos dos investidores. Além disso, se conduzida por uma equipe multidisciplinar de advogados, capaz de obter sinergia da interação entre profissionais especializados em diversas áreas do Direito e com conhecimento do mercado específico do cliente, a auditoria preventiva pode ter uma excelente relação custo-benefício. O nível de profundidade ou a extensão da análise a ser realizada pelos advogados podem ser calibrados pela especificação de valores de corte, ou ainda pelo conhecimento prévio de áreas das empresas-alvo que mereçam maior atenção.

Paralelamente, a auditoria, seja conduzida pelas empresas-alvo ou pelo investidor, poderá envolver profissionais das próprias empresas-alvo nas atividades de preparação e classificação de documentos e na montagem do chamado “data room” — local onde esses materiais ficam à disposição dos auditores e que, cada vez mais, vem sendo constituído por meios virtuais.

Vale destacar, no entanto, que o envolvimento de integrantes da empresa pode levar a problemas quanto à confidencialidade da operação. Ainda que somente tomadores de decisão estejam envolvidos na procura de investidores ou na negociação com potencial comprador, o vazamento da existência de uma auditoria em curso pode gerar boatos com relação à venda e criar situações desfavoráveis junto aos empregados ou no mercado. No caso de uma auditoria preventiva, isso pode ser minimizado se ela for vista com naturalidade pela cúpula da companhia auditada, como sendo uma atividade saudável e desejável. Além disso, a delegação de muitas dessas funções a escritórios experientes e com a estrutura necessária para realização das tarefas geralmente desonera as empresas-alvo, que muitas vezes não possuem experiência no processo de compra e venda.

Com a retomada dos investimentos esperada pelo mercado, ganharão as empresas que melhor souberem se organizar, apresentando características mais do que nunca valorizadas: transparência, organização e profissionalismo. A auditoria preventiva é, certamente, uma ferramenta que deve ser considerada para se atingir esse objetivo.



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