Mecanismos de saída

IPOs abriram um caminho eficiente para a conclusão de investimentos de fundos private equity

Private Equity/Boletins/Edição 61 / 1 de setembro de 2008
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Em artigos anteriores, descrevemos os estágios de desenvolvimento das companhias e os tipos de capital empreendedor geralmente encontrados em cada um deles, bem como os mecanismos mais comuns de proteção aos investidores. Conforme mencionado naqueles artigos, a maturidade da companhia é atingida no momento em que ela está preparada para efetuar a abertura de seu capital, mediante uma Oferta Pública Inicial de Ações (IPO). O IPO, por sua vez, oferece aos fundos de private equity um eficiente mecanismo de saída, que é um dos requisitos essenciais para o sucesso de suas atividades.

Em resumo, os mecanismos de saída são os meios utilizados pelos fundos de private equity para realizar seus ganhos após determinado período de investimento em uma companhia. Dentre eles, destacamos a venda das ações em oferta pública ao mercado, a venda da participação em bolsa de valores ou a venda privada a investidores estratégicos.

Tradicionalmente, a estratégia de saída mais difundida no Brasil vinha sendo a venda privada de participação a investidores estratégicos, normalmente para companhias de maior porte que atuassem no mesmo ramo de atividade ou em ramo complementar ao da companhia investida. Isso porque, para que as vendas por meio de oferta pública ou em bolsa de valores pudessem representar uma alternativa eficiente de desinvestimento, seria necessário um ambiente propício para tanto, com uma cultura de mercado de capitais já em avançado estágio de evolução.

Porém, nos últimos anos, uma conjunção de fatores regulatórios e econômicos levou o mercado de capitais brasileiro a um novo patamar de atividade, com o aumento significativo das operações de abertura de capital, resultando no crescimento das alternativas de saída para fundos de private equity.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Thomson Financial Consultants, no ano de 2007, por exemplo, as operações de abertura de capital no Brasil movimentaram aproximadamente R$ 64,5 bilhões, o que representa um crescimento de 269,3% em relação ao ano de 2006. No total, foram realizados 74 IPOs em 2007, sendo 28 ofertas primárias, seis secundárias e quarenta primárias e secundárias.

Além disso, 2 dos 10 maiores IPOs do mundo em 2007 ocorreram no Brasil. O primeiro deles foi o IPO da Bovespa, que somou aproximadamente 3,7 bilhões de dólares; e o outro foi o IPO da BM&F, com um total de cerca de 2,9 bilhões de dólares.

Um dos fatores que mais contribuíram para esse incremento foi o fortalecimento das chamadas listagens especiais, baseadas na criação, pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), de níveis objetivos de governança corporativa. O chamado “Novo Mercado” destaca-se dentre essas listagens especiais, com quase cem empresas listadas segundo as suas regras.

Assim, embora no ano de 2008 tenha ocorrido, até o momento, uma sensível redução no volume de IPOs em relação a 2007, em virtude da influência de uma série de fatores conjunturais, é evidente que a cultura de mercado de capitais se tornou uma realidade no Brasil.

Conseqüentemente, a solidificação do cenário brasileiro de mercado de capitais ajudou de forma decisiva na consolidação das vendas por oferta pública ou em bolsa como alternativas efetivas de saída para fundos de private equity, além da já conhecida venda privada, a exemplo do que ocorre em outros países, como é o caso dos Estados Unidos. Esperamos que esse fator impulsione o crescimento do mercado de private equity brasileiro nos próximos anos.




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