Maturidade econômica



A conquista dos selos de investment grade – após algumas agências de classificação de riscos, dentre elas duas das maiores do mundo, a Standard & Poor’s e a Fitch Rating, decidirem considerar o país seguro – coloca o Brasil na lista de bom pagador e também garante o ingresso de recursos de grandes fundos institucionais que, por obrigação estabelecida em seus estatutos, só podem aplicar recursos em títulos públicos e privados de países certificados por pelo menos duas grandes instituições de avaliação de risco do mercado internacional. Espera-se um “boom” de investimentos.

O país está saindo da juventude e passando para a maturidade na condução de assuntos econômicos, registrando melhora significativa das contas externas, estabilidade macroeconômica e aumento da confiança dos agentes econômicos, no que se refere a uma velocidade maior de crescimento do nosso Produto Interno Bruto (PIB). Esse cenário também deverá favorecer o mercado de capitais e proporcionar um número razoável de IPO’s, mesmo que diferentemente de 2007, quando tivemos recorde de abertura de capitais com 67 empresas a mais listadas na Bovespa.

Espera-se um “boom” de investimentos. O país está saindo da juventude e passando para a maturidade na condução de assuntos econômicos

O mercado, de maneira geral, trabalha com expectativas de queda da taxa de câmbio, por causa da entrada de capital externo. É claro que poderá haver uma diminuição nas exportações. Inevitável; porém, o mercado interno se manterá forte. A queda na taxa de câmbio fortalece o crescimento das importações – o que também é favorável para a expansão da economia brasileira. Por outro lado, os empresários temem que, sem medidas para compensar a valorização do real, os exportadores poderão perder mercado no exterior, e os que produzem para o mercado interno vão enfrentar concorrência ainda mais feroz dos importados.

A primeira entrada de recursos no país foi para o Tesouro Nacional, quando o governo federal fez uma captação externa de US$ 525 milhões através de emissão de títulos. Havia mais de um ano que o Brasil não vendia papéis em dólares no mercado externo.

Os bancos também já se preparam para emitir títulos para captação de recursos externos. Agora é hora de aproveitar o momento, que já foi percebido também pelas empresas de capital aberto. Assim como os bancos, estão preparando-se para emitir títulos. Os gestores sabem que, para captar recursos, deverão fazer um novo IPO ou buscar recursos de investidores no exterior.

A conquista do grau de investimento é resultado de uma série de ações que vêm sendo tomadas há anos, como, dentre outras, o programa de metas confiáveis de inflação, gestão efetiva da taxa de juros e controle fiscal. Mas ainda há que se fazer muita lição de casa para conquistarmos níveis melhores de confiança.

O país precisa focar a gestão de gastos públicos; reformas estruturais – como na legislação trabalhista –; investimentos em infra-estrutura – estradas, ferrovias, portos e aeroportos, dentre outros. O gargalo para crescer é o setor de infra-estrutura e o governo precisará arrumar esta casa. Além disso, o governo precisa também acelerar a reforma fiscal, através de um modelo que concilie a diversidade de impostos, taxas e contribuições sobre todos os setores contribuintes. Já subimos o primeiro degrau, mas a escada ainda é longa.


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