O efeito bumerangue dos votos de um conselheiro de administração

19/3/2014

Blog da Redação / Blogs / 19 de março de 2014
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As consequências de um “sim” ou de um “não” sempre podem bater à porta de quem já foi conselheiro de administração. Que o diga a presidente Dilma Rousseff, que comandou o conselho da Petrobras quando era ministra da Casa Civil.

Hoje, o jornal O Estado de S. Paulo publicou reportagem em que revela que Dilma e todos os demais integrantes do board da petroleira foram favoráveis à compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, em 2006. O negócio custou US$ 1,2 bilhão e vem sendo investigado, inclusive por uma comissão da Câmara dos Deputados, por suspeitas de superfaturamento e evasão de divisas. Em sua defesa, a presidente declarou que recebeu informações incompletas de um parecer que classificou, segundo a matéria, de “técnica e juridicamente falho”.

A imensa responsabilidade que ronda o cargo, no entanto, não impede que a disputa por um assento no conselho da Petrobras fique cada vez mais acirrada. O próximo board será votado na assembleia do dia 2 de abril e os acionistas minoritários seguem lançando seus nomes.

A Bradesco Asset Management (Bram), que representa 0,63% do capital social da companhia, apoiará a reeleição de Mauro Cunha e de Jorge Gerdau Johannpeter. Ontem, acionistas estrangeiros ratificaram a indicação de Cunha, mas lançaram o nome de José Monforte para a segunda vaga destinada aos minoritários.

Se a disputa pelo board indica que há um desejo de mudança na Petrobras (ou, ao menos, de evidenciar que não há conivência), Mauro Cunha largou na frente na eleição deste ano. Inclusive porque mostrou que o voto contrário também pode ser uma arma a favor dos conselheiros que representam minorias.

Na última segunda-feira, a Petrobras avisou que Cunha foi o único a discordar das demonstrações financeiras de 2013. Foram três os motivos apresentados: demora no envio dos balanços para a análise dos conselheiros, discordância quanto à política de hedge accounting e “insuficiência de informações e aparente inadequação da contabilização dos investimentos em refinarias”.


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