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Em época de eleição, relatórios de análise entram na mira de partidos políticos

Recentemente, os usuários da internet brasileiros que não aplicam na bolsa de valores – e eles são muitos, considerando que a BM&FBovespa tem apenas 600 mil CPFs inscritos e apenas 250 mil deles negociam frequentemente – descobriram que bancos, corretoras e casas de análise publicam relatórios. E que nesses relatórios opinam sobre fatores que podem afetar a decisão de investimentos. Cenário eleitoral, evidentemente é um desses fatores.

Santander e Empiricus são dois exemplos disso. Ambos publicaram opiniões em que diziam que a reeleição presidencial pode ser nociva macroeconomicamente. Coordenadores da campanha de Dilma Rousseff se manifestaram contra os relatórios e acusaram a Empiricus de fazer propaganda eleitoral para o adversário Aécio Neves – tanto que dois textos tiveram de ser retirado do ar a pedido da Justiça Eleitoral.

Em sabatina a vários veículos de mídia, a presidente reclamou. Disse que é inadmissível que o mercado interfira no cenário político – o que não deixa de ser curioso, já que, desde sempre, são os agentes de mercado que têm por hábito reclamar de interferência política nas suas atividades.

Está aí um assunto que ainda vai render muitas discussões sobre liberdade de opinião, independência de analistas, limites dos relatórios de análise etc. Todas extremamente válidas.

Mas deixando isso um pouco de lado, outro aspecto chama atenção: o desconhecimento da maioria das pessoas sobre o que acontece no mercado de capitais. Nesse caso, sobre os chamados relatórios de análise. O fato de as pessoas terem ficado escandalizadas com a existência deles – e não só com o teor, demonstra falta de conhecimento sobre quem são os participantes do mercado e quais são suas funções e prerrogativas. Sem entrar no mérito do que foi dito nos dois textos, especificamente, cabe ressaltar que é comum que tais documentos tragam reflexões sobre cenário político e intervenção governamental.

É um bom alerta para quem está empenhado em espalhar a educação financeira, como a BM&FBovespa e a CVM.