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Cuidado com quem fala (e no que acredita)

Na edição de dezembro, contamos a história da RJCP. Para quem não conhece, aqui vai um breve resumo. Especializada na aquisição de startups, a companhia conquistou quase 2 mil investidores ao longo de seus quase três anos de listagem sem nunca ter feito uma oferta pública, apenas na base da negociação no mercado secundário. Nesse período, a RJCP virou alvo de severas investigações. O caso foi parar no Ministério Público Federal (MPF) e a apuração em andamento evidencia um risco cada vez mais presente na vida dos investidores: a análise da veracidade do que se fala nos fóruns de discussão da internet.

Ao examinar problemas como a possível manipulação do preço das ações e a injeção de ativos superavaliados, a CVM encontrou indícios de que um perfil na internet aquecia o mercado em torno das ações da RJCP de forma irregular. O usuário identificado como “reidoinvestimento”, presente em um dos fóruns do portal ADVFN, publicava mensagens que davam a entender que ele tinha acesso a informações privilegiadas. Na véspera da divulgação de um fato relevante, por exemplo, incitava os investidores com mensagens como “Tirem as vendas e esperem até amanhã” ou “O pessoal resolveu vender logo hoje. Já avisei, segurem até amanhã que vão rir muito e com bolso cheio”.

O usuário também dialogava com Marcelo Bastos, fundador e controlador da RJCP, pelo Twitter. Para piorar a situação, a real identidade do “reidoinvestimento” não foi comprovada. O que se apura é se as informações lhe eram ilegalmente antecipadas ou se eram os próprios administradores da RJCP que manipulavam o mercado sob esse disfarce virtual.

Para buscar provas que revelem quem está por trás do perfil “reidoinvestimento”, CVM, Polícia Federal e MPF realizaram uma operação de busca e apreensão em dezembro passado. Coincidentemente, desde então o “rei”, como é chamado pelos demais usuários do fórum, não publicou mais mensagens.

Em tempos em que até as informações oficiais de uma companhia são postas a prova (como no caso das empresas X), acreditar em palpiteiros anônimos soa, no mínimo, ingênuo.