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Em tempos de aversão a risco, uma tendência mundial
Diante das incertezas, fundos multimercado de baixo risco atraem investidores que esperam o momento ideal para retornar ao mercado de ações
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Tem ganhado destaque um produto não tão novo, mas ainda pouco conhecido do mercado: os chamados fundos de caixa | Imagem: Freepik

Tanto no mercado internacional como no Brasil, os investidores estão em busca de liquidez e avessos ao risco. O comportamento se deve às elevadas taxas de juro e aos riscos macroeconômicos mundiais, que vão do conflito bélico entre a Rússia e a Ucrânia a uma recessão na maior economia do mundo.  


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Nesta primeira semana de maio, o Banco Central americano (Federal Reserve — FED) decidiu novamente por um aumento nas taxas americanas, de 0,25 ponto percentual. Dessa forma, a nova taxa de juros sai de 5% para 5,25%, maior nível desde 2007. A indicação é de que, na reunião de junho, a taxa de juros deverá ser mantida, mas tudo dependerá dos dados econômicos a serem divulgados, como um aumento da inflação além do esperado, por exemplo. 

A postura do FED já era esperada. Na última semana de abril, investidores e mercados, preparando-se para outra rodada de aumentos de juros no início de maio, alocaram mais de 50 bilhões de dólares em fundos do mercado monetário monitorados. Esta foi a sétima vez que tais ativos captaram nesta magnitude nas últimas nove semanas, segundo os dados do relatório da Emerging Portfolio Fund Research (EPFR Global).  

Diante das últimas altas de juros nos Estados Unidos, esses fundos se tornaram aplicações populares em tempos de risco elevado. E, no momento, estão oferecendo rendimentos mais atraentes do que a maioria das opções de gerenciamento de caixa, inclusive os certificados de depósito (CDs) oferecidos pelos bancos. Todo este conservadorismo do mercado internacional demonstra um fato: há uma crise de confiança que torna muito mais complicado encontrar onde alocar os recursos no momento. Neste sentido, a preferência é por aplicações de baixo risco e elevada liquidez.  

Saldo negativo 

No Brasil, as perspectivas não são diferentes. O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) manteve por mais uma vez a taxa básica de juros (Selic). Com os juros reais elevados, a economia nacional vive uma crise de crédito, vide as empresas de varejo. Desta forma, a renda fixa tradicional apresenta riscos consideráveis, o que leva à captação negativa da indústria de fundos. Segundo dados do Consolidado Diário de Fundos de Investimento, publicado pela Anbima, até o dia 27 de abril, a renda fixa apresentava uma captação líquida negativa de 29,3 bilhões de reais no ano. Já os multimercados tradicionais somavam um déficit de 43,9 bilhões de reais no acumulado de 2023. 

Há a migração de recursos para as modalidades de baixo risco. Entre elas destaca-se um produto não tão novo, mas ainda pouco conhecido do mercado: os chamados fundos de caixa, que levam este nome por terem como finalidade ser um estacionamento seguro para recursos que não podem correr risco e precisam se manter líquidos. A classe de ativos é classificada na categoria multimercados de baixo risco e, até então, era utilizada somente para a alocação de caixa das empresas ou reservas de emergência. No entanto, o que vemos agora é uma ampliação de suas aplicações. Diante das incertezas, eles atraem investidores que esperam o momento ideal para retornar ao mercado de ações, por exemplo.  

Os fundos de caixa brasileiros têm uma composição diferente da dos fundos do mercado monetário americano (MMF). Enquanto lá os MMFs investem em produtos de dívida de curto prazo altamente líquidos, como os emitidos por governos ou empresas com rating elevado, aqui o risco de crédito privado é eliminado, mesmo quando falamos de grandes companhias que exibem baixíssimo risco. Se lembrarmos que a Americanas antes do escândalo exibia rating de crédito nacional AA+, que significa “qualidade de crédito muito alta”, fica fácil entender por que o gestor prefere abrir mão deste tipo de ativo. 

Enquanto isso, dados da pesquisa SmartBrain, que processa diariamente mais de 340 mil extratos de investimentos, somando mais de 250 bilhões de reais de patrimônio analisados, demonstra que a alocação em produtos mais arrojados caiu. O levantamento ainda destaca que, dentre os fundos multimercados favoritos dos mais ricos, um fundo de caixa está na primeira posição.  

*Fernando Camargo Luiz é gestor da Trópico Investimentos 

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