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Cenário externo trará grandes desafios ao próximo presidente
Brasil figura no ranking das dez maiores economias globais e sentirá os impactos da desaceleração econômica de parceiros comerciais importantes
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Antes de avaliar o impacto político no ambiente doméstico, é preciso abordar a situação contracionista do cenário econômico internacional | Imagem: Freepik

A disputa para a eleição presidencial do primeiro turno deste ano foi mais acirrada do que os institutos de pesquisa apontavam. O “risco Lula”, termo cunhado pelo mercado para um eventual governo petista com ampliação dos gastos públicos e aumento da carga tributária, foi reduzido devido à ampliação da base conservadora no Congresso Nacional. Forçará, caso Lula seja eleito, uma agenda mais ao centro. 


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Esse fato não estava no preço. Gerou uma valorização de 5,54% do Ibovespa na segunda-feira (03), o que mostrou a imediata avaliação dos agentes do mercado financeiro sobre os resultados do primeiro turno das eleições. Foi a maior alta do índice desde abril de 2020. As estatais estaduais também tiveram fortes ganhos com os resultados das eleições para os entes federativos — em especial em Minas Gerais e São Paulo. 

Antes de avaliar o impacto político no ambiente doméstico, é preciso abordar a situação contracionista do cenário econômico internacional. A maior potência mundial, os Estados Unidos (EUA), entrou em recessão técnica após dois trimestres consecutivos de decréscimo do PIB. No primeiro trimestre deste ano, a atividade econômica americana caiu 1,6%. No segundo, apresentou queda de 0,6%. 

Os EUA enfrentam a maior inflação dos últimos 40 anos. O CPI — índice de preços ao consumidor — está na faixa dos 8,3% na base anual. Na Europa, a situação é similar. A inflação na ponta atingiu os dois dígitos e cravou 10% no acumulado de 12 meses. O resultado renovou o recorde da série histórica. 

O aumento generalizado dos preços nos países desenvolvidos promove o aperto monetário por parte dos bancos centrais. Conforme os juros sobem, a liquidez da economia é reduzida, tanto pela menor capacidade de consumo das famílias quanto pela contração dos investimentos do empresariado. É literalmente enxugar a liquidez do sistema por meio da maior atratividade dos títulos de dívida, que fornecem menor risco, e do aumento do custo do dinheiro. 

Sinalizações esperadas 

Feita a análise prévia do exterior, é notório que o próximo presidente do Brasil enfrentará grandes desafios pela frente. Será preciso iniciar o mandato com sinalizações importantes ao mercado. Os aspectos fiscais, tributários e regulatórios serão acompanhados de perto pelos investidores. Qualquer percepção adicional de risco poderá gerar maior volatilidade nos ativos do país. 

Previsibilidade e um norte de estabilidade serão fundamentais para minimizar os efeitos externos na economia. O objetivo será impulsionar o crescimento das atividades produtivas, do emprego e da renda. Afinal, o Brasil figura no ranking das dez maiores economias globais e sentirá os impactos da desaceleração econômica de parceiros comerciais importantes, como EUA, China e Europa.  

Há visões diferentes entre os presidenciáveis para condução econômica do Brasil pelos próximos quatro anos. A esquerda, representada pela figura do Lula, tem um viés dirigista e um discurso de maior intervenção do Estado na economia. A direita, representada pelo Bolsonaro, está mais alinhada à livre iniciativa e a uma maior participação privada no âmbito econômico. 

Em um momento de aversão global ao risco, as ações brasileiras e o câmbio reproduzirão o caminho escolhido pelo novo mandatário, além da forma como as medidas tomadas serão colocadas em prática após avalizadas pelo Congresso Nacional. Isso será fundamental para a percepção de risco dos investidores, especialmente no que diz respeito à âncora fiscal de 2023 até 2026 — será pautada em regras de gasto, resultado ou dívida? O nível de segurança para alocação em ativos locais e com volatilidade, sobretudo do mercado de ações, dependerá dessa indicação e de outros direcionamentos ao setor produtivo. 

Variáveis sobre o lucro 

Como o lucro das companhias no longo prazo determina a valorização das ações, o investidor precisará atentar a essas sinalizações. O resultado financeiro das empresas é o final de todo o processo. Ele depende das vendas, que são influenciadas pelo consumo da população — e que por sua vez está condicionada ao nível de empregabilidade e da renda. Também sofre consequência do custo do financiamento da atividade produtiva, realizado através do capital de terceiros vinculado à taxa de juros estabelecida pela autoridade monetária nacional. Uma série de variáveis, internas e externas, interfere positivamente ou negativamente no lucro das empresas. 

Por fim, independente do resultado das eleições de 2022, o mais adequado é diversificar o portfólio em diferentes geografias, setores e classes de ativos. O investimento direto no exterior ou de forma indireta pela B3 proporciona proteção cambial. O dólar apresenta, costumeiramente, correlação negativa com a bolsa brasileira e possibilita minimizar o efeito do chamado “risco país” no patrimônio. Essa é uma das vantagens da exposição ao mercado internacional, pois permite o investimento em ativos atrelados à moeda mais forte e escassa do mundo. Tornar-se acionista das maiores empresas globais também é uma boa tática.  

O futuro é incerto, mas um elemento é conhecido: ele será determinado pela percepção de risco dos consumidores, empresários e investidores.  

Fabrício Gonçalvez é CEO da Box Asset Management  

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