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Auditoria em M&A: desafios e a necessidade de abordagem contemporânea em sua execução
A depender do tipo de operação, a due diligence pode ter um papel ainda mais relevante como, por exemplo, na contratação de seguros de M&A, nas discussões sobre a aplicação de cláusulas sandbaggi e em operações de search funds
auditoria, Auditoria em M&A: desafios e a necessidade de abordagem contemporânea em sua execução, Capital Aberto

A auditoria em operações de M&A raramente figura como um hot topic nas discussões, artigos e estudos jurídicos. Entretanto, tendo em vista pesquisas divulgadas no início do ano feitas com investidores sobre operações de M&A na América Latina[1] indicando que a due diligence ainda é considerada por muitos uma das fases mais desafiadoras de uma operação de M&A, nos parece que tal tópico ainda tem e merece seu espaço em tais foros.

Os desafios para a realização de uma boa auditoria são dos mais variados e não se limitam apenas aos aspectos jurídicos da operação, sendo alguns globais e outros mais regionais, como, por exemplo:

(I) A percepção de alguns dos agentes envolvidos de que, não obstante a sua relevância, a auditoria é uma atividade mecânica, comoditizada e com pouco valor agregado;

(II) A organização, quantidade e qualidade da informação existente e/ou disponibilizada pelas empresas alvo, que nem sempre é favorável ao desenrolar do processo;

(III) A necessidade gestão de equipes multidisciplinares, com diferentes enfoques e objetivos;

(IV) A revisão de quantidades relevantes de documentos e informações, muitas vezes, em curtos períodos;

(V) Diferenças culturais entre as partes, especialmente em operações cross border.

Nesse contexto, cabe aos assessores jurídicos não só a execução do trabalho com toda a diligência, técnica e atenção que ele demanda, mas também de forma a mitigar tais dificuldades, na medida do possível, desmistificar tal percepção e, principalmente, auxiliar efetivamente as partes envolvidas na consecução da operação pretendida, adotando, por exemplo, para tais fins:

(I) Realização do trabalho de forma analítica, crítica e sintetizada, não se limitando a simplesmente ler e reportar a informação analisada, buscando aportar conteúdo útil à transação e, com isso, colaborando para a definição da sua viabilidade, estrutura, negociação e implementação;

(II) Realizar o trabalho de forma multidisciplinar, contextualizada e com constante troca de informações entre os diferentes assessores envolvidos (e.g. auditoria legal com auditoria financeira) e mesmo entre as diferentes áreas responsáveis pela auditoria legal;

(III) Acompanhar e realizar o reporte contínuo do andamento dos trabalhos da auditoria;

(IV) Ter em mente o interesse das partes na operação (e.g. entrada em mercado, aquisição de um produto ou tecnologia, aquisição de market share, entre outros);

(V) Levar em consideração nas interações com os interlocutores da empresa alvo a sua posição no processo de M&A, especialmente se estes não forem diretamente os vendedores, mas sim colaboradores, os quais normalmente se encontram sob grande pressão, divididos entre atender as demandas da auditoria e a atenção ao negócio;

(VI) Adoção, sempre que possível, de soluções tecnológicas que auxiliem na execução das diferentes tarefas, especialmente aquelas mais repetitivas.

Assim, traçando um paralelo com as técnicas atuais de análise de dados e suas representações gráficas[2], temos que as fases de uma auditoria de M&A e seus entregáveis, quando observada a perspectiva contemporânea que estamos sugerindo, podem ser resumidos visualmente da seguinte forma:

auditoria, Auditoria em M&A: desafios e a necessidade de abordagem contemporânea em sua execução, Capital Aberto

Adicionalmente, a depender do tipo de operação e/ou discussão, a due diligence (e sua boa execução) pode ter um papel ainda mais específico e/ou relevante. Como, por exemplo:

(I) Na contratação de seguros de M&A (ou W&I) para mitigação dos riscos da operação de M&A e viabilização da sua concretização[3], na qual a auditoria e seus relatórios serão essenciais para que a seguradora possa se basear e fazer a sua análise da empresas alvo e dos potenciais riscos envolvidos, definir o escopo e limite da cobertura oferecida e, enfim, emitir a apólice;

(II) Nas discussões sobre a aplicação (ou o seu afastamento) de cláusulas sandbagging, ou seja cláusulas que visam garantir (ou afastar) o direito do comprador de ser indenizado por perdas resultantes de contingências materializadas após o fechamento da operação, mas que já eram de conhecimento do comprador à época da celebração da transação;

(III) Em operações de search funds [4], tendo em vista que em tal modalidade de empreendedorismo, por aquisição, após ter identificado a empresa a ser potencialmente investida, o empreendedor (ou neste caso searcher) deve apresentar sua tese de investimento aos investidores que financiarão a operação e que, para tanto, é fundamental não só ter realizado uma boa due diligence, mas também poder apresentar o seu resultado de forma clara, objetiva e pragmática.

Assim, embora em alguns casos seja deixada em segundo plano, o fato é que a auditoria continua sendo relevante e essencial para o êxito de uma operação de M&A.

Entretanto, para que esta cumpra tal papel (e assim seja percebida pelos diferentes agentes envolvidos) é essencial que seja executada de forma moderna e contemporânea, não se limitando à mera descrição e apresentação não contextualizada da investigação e seu resultado, mas sim de forma crítica, contextualizada, clara e objetiva, servindo assim como mais uma ferramenta estratégica e de apoio às partes nas diferentes fases da operação (e.g. desenvolvimento, a estruturação, implementação, discussões pós-fechamento, etc.).


Brunno Morette é sócio das áreas de Societário, Fusões & Aquisições e Private Equity do Cascione Advogados


[1] “Brazil, Quarterly Report, 3Q 2023” – TTR Data e “In an uncertain world, Latam M&A is on the rise” – KPMG 2023 M&A Latam Survey.

[2] Imagem original obtida no artigo “LinkedIn: The Lego Data Story” publicada em https://web.stanford.edu/group/sdgc/cgi-bin/ycisl/?p=4927, com a imagem original sendo atribuída a Brandon Rossen, do Hot Butter Studio, publicada em https://www.brandonrossen.com/tear-sheets/phiee5si6ct5rj7qoyznh936pn92i6

[3] https://capitalaberto.com.br/artigos/as-vantagens-do-seguro-para-mas/

[4] https://www.insper.edu.br/noticias/search-fund-um-modelo-de-investimento-ainda-embrionario-mas-promissor/


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