Pesquisar

|

|

Pesquisar
Close this search box.
“O Brasil teve um boom de gestoras bem exagerado e ainda não começamos a ver a consolidação em multimercado e ações”
Ettore Marchetti, CEO na EQI Asset
Ettore Marchetti, CEO na EQI Asset

A opção por ser uma gestora multiproduto, desde sua criação no final de 2020, deu resultado para a EQI Asset, empresa ligada à EQI Investimentos. Mudanças bruscas na política monetária global, picos de volatilidade no mercado de renda variável e problemas no de dívida privada tornaram revolto mar em que navegam as gestoras. Com atuação na renda fixa, renda variável e multimercado, além de crédito estruturado, a EQI se saiu bem nos primeiros três anos e meio de vida e hoje tem quase R$ 6 bilhões de ativos sob gestão. “Tínhamos em mente que algo entre 12% a 15% dos recursos que iriamos gerir viria da EQI Investimentos e o desempenho final foi melhor do que o esperado. Superamos as expectativas”, comenta Ettore Marchetti, CEO na EQI Asset. Em entrevista à Capital Aberto, o executivo explica o desempenho da gestora e conta planos de ampliar ainda mais a atuação. “A gente vai investir esse ano em uma célula de infraestrutura. Pode ser para atuar com crédito ou equity, mas em infra. A gente deve fazer em breve um movimento de entrada no agro, talvez no começo de 2025, e vamos plantar uma semente em criptoativos, trazendo alguém focado que olhe com mais carinho para os ativos digitais.” Confira a entrevista:

EQI, “O Brasil teve um boom de gestoras bem exagerado e ainda não começamos a ver a consolidação em multimercado e ações”, Capital Aberto

Quando você assumiu a EQI, quais eram os planos? Faz um balanço destes três anos e meio da operação.

A gente sempre teve como premissa montar uma asset multiproduto. Eu espelhei bastante no modelo Kinea, que tem a parceria estratégica com o Itaú. Quando a gente olhava outros casos de asset multiproduto ligado à plataforma, como o caso da XP, a gente via que o passivo da gestora própria era muito próximo de 12% a 15% do total. A cada R$ 10 bilhões que a EQI capta, um guia para mim é eu crescer mais do que R$ 1,5 bi. Dito isso, hoje a gente está muito próximo de R$ 6 bi e a EQI Investimentos perto de R$ 31 bilhões, ou seja, algo próximo de 19%. A gente está contente com os resultados. São resultados melhores do que o esperado. Não vivemos só da EQI Investimentos. Boa parte dos recursos vem de clientes institucionais, fora da corretora.

EQI, “O Brasil teve um boom de gestoras bem exagerado e ainda não começamos a ver a consolidação em multimercado e ações”, Capital Aberto

Como está o desempenho das diferentes áreas dentro da asset?

O projeto tem superado as expectativas. Obviamente, a gente tem que sempre se adaptar ao ambiente corrente de mercado. A gente tem algumas células que cresceram mais do que outras. Com o ambiente de taxa de juros mais alta, de aversão a risco mais presente, temos uma área de crédito e de crédito estruturado muito maior do que imaginávamos previamente. Temos também uma área imobiliária que está surpreendendo e, por outro lado, uma área de multimercado e bolsa que tem tido uma atração menor. Como um todo no mercado, a gente não é uma ilha. O importante foi, olhando para o gerenciamento do negócio, conseguir surfar bem a onda do crédito, surfar bem a onda do imobiliário e assim por diante.

EQI, “O Brasil teve um boom de gestoras bem exagerado e ainda não começamos a ver a consolidação em multimercado e ações”, Capital Aberto

Quais os focos de atuação de curto prazo? O que vem pela frente?

A onda do segmento imobiliário acho que nem começou. Então, é um dos focos de atuação nos próximos trimestres. A gente trouxe algumas pessoas do time para fortalecer essa estrutura. E imobiliário, quando eu falo de asset management, são fundos. Dentro da área imobiliária, existem dois tipos de fundos. Temos as duas verticais, fundos de papel, CRI, são listados, e os fundos de incorporação imobiliária pura, equities. O reforço que a gente fez foi trazer uma equipe sênior de desenvolvimento imobiliário. Esse mercado é ainda muito mal explorado no Brasil, principalmente fora dos eixos principais aqui em Rio e São Paulo, em especial. E a gente tem visto muitas companhias que têm bons balanços, interessadas em fazer fundo de desenvolvimento na nossa região, que é muito forte, de Balneário Camboriú e Itajaí (SC), e no Centro-Oeste, principalmente no cinturão agro. Temos focado os esforços em montar estruturas de desenvolvimento imobiliário fora das duas capitais aqui do Sudeste.

EQI, “O Brasil teve um boom de gestoras bem exagerado e ainda não começamos a ver a consolidação em multimercado e ações”, Capital Aberto

Os últimos anos não foram muito positivos para a indústria de fundos, que viu investidores sacarem recursos. Qual o reflexo deste cenário no desempenho da asset?

Como eu disse, a gente cresceu muito a gestora em 2022, 2023 e vem crescendo em 2024. É uma asset multiproduto. Se o juro está mais alto, eu consigo captar mais em crédito. Se o juro está mais baixo, eu consigo captar mais em imobiliário, multimercado, bolsa. A gente acaba sempre refletindo um pouco de todo esse cardápio que o cliente final, tanto da equipe como fora da equipe, quer consumir. Os demais produtos conseguiram compensar o que multimercado e ações não performaram. A EQI Asset, no ano passado, começou com R$ 3,15 bilhões sob gestão, fechou o ano a R$ 4,57 bilhões e atualmente tem R$ 5,9 bilhões.

EQI, “O Brasil teve um boom de gestoras bem exagerado e ainda não começamos a ver a consolidação em multimercado e ações”, Capital Aberto

Falta algo na grade de produtos e serviços da asset?

A gente vai investir esse ano em uma célula de infraestrutura. Pode ser para atuar com crédito, equity, voltados a infraestrutura. Estamos à procura de profissionais para liderar essa vertical. A gente deve fazer em breve um movimento de entrada no agro que não tínhamos nada até por um motivo estratégico, víamos um mercado muito arriscado e estávamos certos. Quem sabe no começo do ano que vem comecemos com esta vertical. E, para finalizar, o negócio que eu quero plantar uma semente é trazer alguém focado em criptoativos. Não significa, no primeiro momento, que eu vou montar um fundo, mas, eventualmente, a gente vai olhar para esse mercado com um pouco mais de carinho para poder compor carteira de fundos já existentes. E, no futuro, quem sabe ter uma célula dedicada a isso.

EQI, “O Brasil teve um boom de gestoras bem exagerado e ainda não começamos a ver a consolidação em multimercado e ações”, Capital Aberto

Qual sua avaliação sobre as várias resoluções editadas pela CVM nos últimos anos, como a 175 específica para fundos?

Ela traz, em resumo, uma maior transparência no mercado de capitais em vários aspectos, tanto na questão de os fundos terem as suas subclasses, deixando mais claro para o cliente final quais são os riscos de cada portfólio, assim como a remuneração do gestor, do administrador. Com certeza, a figura do gestor acabou agregando mais responsabilidades, o que pode dificultar algumas estruturas, principalmente FIDC, ou encarecendo-as. O resto todo é bem positivo e eu destaco transparência de custo, transparência de estrutura e até mesmo uma melhor relação do gestor com o administrador.

EQI, “O Brasil teve um boom de gestoras bem exagerado e ainda não começamos a ver a consolidação em multimercado e ações”, Capital Aberto

Quais as adaptações necessárias para cumprir com as novas responsabilidades?

Tem que olhar caso a caso. Acho que, com certeza, contratar terceiros é uma possibilidade que está na mesa, mas é uma possibilidade que, como falei, pode encarecer a estrutura. Até porque a responsabilidade de contratar terceiros é do gestor, inclusive fazer a diligência nesse empreendedor de serviço. Você vai ter um rol de responsabilidade maior que, na minha opinião, vai refletir em custo e em viabilidade de algumas estruturas de crédito.

EQI, “O Brasil teve um boom de gestoras bem exagerado e ainda não começamos a ver a consolidação em multimercado e ações”, Capital Aberto

A possibilidade de oferta de FIDCs para o investidor de varejo é positiva na sua visão?

Se o cliente é profissional ou mesmo qualificado, ele tem condições de receber informações bem detalhadas e transparentes sobre o FIDC, avaliando riscos e benefícios do crédito estruturado. Mas se a gente olhasse há 10 anos, falavam a mesma coisa de multimercado para o varejo. E hoje já virou uma coisa bastante comum do dia a dia com a disponibilidade de informação muito mais acessível. Eu acho que é um processo, acho que é uma evolução educacional do investidor brasileiro. Acho que FIDC, se bem explicado, fora algumas estruturas que, eventualmente, por natureza são tóxicas, não tem nada que não possa compor a carteira de um cliente.

EQI, “O Brasil teve um boom de gestoras bem exagerado e ainda não começamos a ver a consolidação em multimercado e ações”, Capital Aberto

Falando das gestoras, você acha que tem uma tendência de uma consolidação?

Dado que ficou mais custoso trabalhar como gestora, o movimento que a gente está vendo de resgate de multimercado já inviabiliza muitas estruturas. Aquela conta clássica para você conseguir ter um time razoável, uma estrutura razoável o número mágico é que você precisa ter acima de R$ 1,5 bilhão sob gestão. O Brasil teve um boom de gestoras bem exagerado e ainda não começamos a ver a consolidação em multimercado e ações. No mercado de fundos de ações também vai ter muita consolidação. Ou mesmo gestoras fechando e profissionais acabando indo para gestoras maiores e bancos. As plataformas de investimento acabaram fomentando muito capital para ativos de risco e o movimento foi frustrante.

EQI, “O Brasil teve um boom de gestoras bem exagerado e ainda não começamos a ver a consolidação em multimercado e ações”, Capital Aberto

Qual sua visão para os fundos de crédito privado em cenário de Selic mantida em 10,50% ao ano?

Os prêmios de crédito no mundo inteiro estão nas mínimas dos últimos 10 anos. A gente tem um cenário com o juro na casa de 10% sendo mantido por mais tempo, continua tendo um fluxo positivo para essa classe de ativos. Temos que ter parcimônia, como a gente sempre faz aqui, um processo de avaliação de crédito muito sério, rigoroso. Temos feito até mais caixa nos fundos ultimamente porque não estamos vendo tanta oportunidade boa no crédito em termos de spread de risco-retorno. Na EQI olhamos muito para estruturas mais complexas de crédito, do tipo FIDC, que a gente acha que tem uma relação risco-retorno hoje muito melhor na média.


Para continuar lendo, cadastre-se!
E ganhe acesso gratuito
a 3 conteúdos mensalmente.


Ou assine a partir de R$ 9,90/mês!
Você terá acesso permanente
e ilimitado ao portal, além de descontos
especiais em cursos e webinars.


Você está lendo {{count_online}} de {{limit_online}} matérias gratuitas por mês

Você atingiu o limite de {{limit_online}} matérias gratuitas por mês.

Faça agora uma assinatura e tenha acesso ao melhor conteúdo sobre mercado de capitais


Ja é assinante? Clique aqui

mais
conteúdos

APROVEITE!

Adquira a Assinatura Superior por apenas R$ 0,90 no primeiro mês e tenha acesso ilimitado aos conteúdos no portal e no App.

Use o cupom 90centavos no carrinho.

A partir do 2º mês a parcela será de R$ 48,00.
Você pode cancelar a sua assinatura a qualquer momento.